terça-feira 30 2014

STF homologa delação e Paulo Roberto Costa vai para prisão domiciliar

Lava Jato

Ex-diretor da Petrobras que entregou uma constelação de políticos e partidos será transferido para o Rio de Janeiro, onde mora sua família

Laryssa Borges, de Brasília
CPI mista da Petrobras recebe ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, no Congresso Nacional, em Brasília (DF) - 17/09/2014
PARA CASA – Paulo Roberto Costa durante reunião da CPI mista da Petrobras na qual ficou em silêncio. Ele assinou acordo de delação premiada, homologada pelo Supremo Tribunal Federal (Ueslei Marcelino/Reuters)
A 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba (PR) concedeu nesta terça-feira o benefício da prisão domiciliar ao ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, após ele ter cumprido um acordo de delação premiada e revelado nomes de autoridades que participaram de um esquema de desvio de recursos da estatal. O benefício, formalizado pelo juiz federal Sergio Moro, foi concedido após o acordo de delação ser homologado pelo ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). Com a prisão domiciliar, Costa deixará a cidade de Curitiba, onde está preso, e passará a ser monitorado com uma tornozeleira eletrônica e acompanhado pela Polícia Federal no Rio de Janeiro, onde mora sua família. Segundo o Código de Processo Penal, indiciados ou acusados em prisão domiciliar só podem ausentar-se da residência com autorização judicial.
Paulo Roberto Costa foi apontado como homem-bomba capaz de detalhar os meandros de um esquema de corrupção que envolvia PT, PMDB e PP na Petrobras. Reportagem de VEJA revelou que, na delação que pode reduzir sua futura pena ou mesmo lhe render o perdão judicial, ele afirmou que políticos da base aliada da presidente Dilma Rousseff, o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) e governadores receberam dinheiro do esquema. De acordo com depoimento de Costa, o esquema funcionou nos dois mandatos do ex-presidente Lula e continuou na atual gestão de Dilma. 
Entre os nomes relacionados por Costa estão os ex-governadores Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, Eduardo Campos, de Pernambuco – morto em acidente aéreo em agosto –, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN).
Em outro depoimento do ex-diretor à Justiça, também revelado por VEJA, Paulo Roberto Costa disse que a campanha da presidente-candidata Dilma Rousseff em 2010 pediu dinheiro ao esquema de corrupção que ele liderava na Petrobras.


Os nomes das autoridades com foro privilegiado já foram encaminhados ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, responsável por levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Aécio Neves desmacarando Dilma e o PT - Debate Presidencial 2014





Reveja os melhores momentos de Aécio Neves no debate da Band | Muda Brasil





Em comício em SP, Lula volta a atacar a imprensa

Campanha

PT tenta impulsionar a candidatura de Dilma Rousseff e de Alexandre Padilha no Estado de São Paulo, onde a legenda tem os maiores índices de rejeição

Eduardo Gonçalves, de São Paulo
A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo, na noite desta segunda-feira (29)
A presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff junto com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante comício em Campo Limpo, zona sul da cidade de São Paulo, na noite desta segunda-feira (29) - Ivan Pacheco/VEJA.com
Após a edição de VEJA desta semana revelar que a campanha de Dilma Rousseff pediu dinheiro ao esquema do "petrolão" em 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou a imprensa durante comício realizado na noite desta segunda-feira no bairro do Campo Limpo, na Zona Sul de São Paulo. Ao lado de Dilma e do candidato ao governo de São Paulo Alexandre Padilha, o petista voltou a dizer que o partido é "perseguido". "Neste país, a imprensa sempre foi conservadora, mas houve um tempo em que a gente conversava mais com os jornais. Hoje, eles são terceirizados e prepostos. Eu quero que você compreenda por que existe tanta bronca e perseguição contra o PT", disse Lula, dirigindo-se à Dilma.

A seis dias das eleições, o ex-presidente conclamou a militância a vestir a "camisa do PT" e "ir às ruas". O intuito do evento de campanha era alavancar as candidaturas de Dilma e Padilha em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Na última pesquisa Datafolha, a candidata petista aparece sete pontos atrás da adversária do PSB, Marina Silva, no Estado. Já Padilha não conseguiu alcançar dois dígitos no levantamento desde o início da corrida eleitoral.

Além da imprensa, Lula também concentrou ataques ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), que lidera as pesquisas ao Palácio dos Bandeirantes com folga. "A minha pergunta é: se a situação está tão ruim por que tem gente que vota no Alckmin ainda? Por ser o mais rico da federação, esse Estado deveria tratar melhor o seu povo", disse Lula, abraçado a Padilha.

Na sua vez de falar, a presidente-candidata Dilma Rousseff reiterou as críticas ao tucano e disse que foi o governo federal quem financiou as obras propagandeadas pela campanha do governador. "Muita coisa aqui em São Paulo que passa como feita pelo governo do Estado não é verdade. Foi feita com dinheiro do governo federal. Metrô, Monotriho, Rodoanel e outras várias obras foram feitas com o nosso dinheiro", disse a petista. Última a falar e com a voz rouca, Dilma fez um discurso menor do que o do seu adrinho político e para menos gente – parte dos militantes havia ido embora logo depois da fala de Lula.

Escanteado no início da campanha de Padilha e Dilma por causa da alta taxa de rejeição, o prefeito de São Paulo Fernando Haddad também subiu ao palanque para fazer propaganda do seu próprio governo. Falou da inauguração de uma faixa exclusiva de ônibus no bairro de M’Boi Mirim e da construção de um hospital em Parelheiros. Antes dele, Padilha afirmou que iria fazer a “maior virada” nas eleições e que estava com "muita vontade" de ir para o 2º turno. Durante a sua fala, houve um princípio de tumulto na plateia. Militantes petistas derrubaram grades de contenção para se aproximar do palco.

Além deles, compareceram ao evento o candidato do PT ao Senado, Eduardo Suplicy, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, e o presidente estadual do partido, Emídio de Souza.

segunda-feira 29 2014

Dilma e os mercados: não existe petista grátis!

Veja.Com



Os mercados, como se diz no jargão da área, derreteram nesta segunda-feira. O índice Bovespa despencou, atraído, principalmente, pela queda das ações da Petrobras, e o dólar disparou. Os investidores estavam botando preço nos números da pesquisa Datafolha divulgada na sexta, que indicaram que a posição de Dilma melhorou. Na hipótese mais alarmista, não seria impossível ela ganhar mais uns cinco ou seis pontos e até vencer no primeiro turno, coisa na qual, francamente, não acredito. Nas últimas três eleições, o PT teve nas urnas menos votos do que lhe conferiam os institutos de pesquisa. De todo modo, os mercados estão mais de olho no risco do que nas hipóteses de salvação.
Pois é… Dilma e o PT inventaram a equação do capeta — contra o país e, em certa medida, contra si mesmos. A presidente tem uma de duas alternativas para explicar por que o país terá uma expansão próxima de zero neste ano, com inflação quase estourando o limite superior da meta e juros nas estrelas: ou admite que o problema é interno, que fez as escolhas erradas e que é, enfim, uma gestora incompetente ou joga toda a culpa no cenário externo, e o Brasil apenas estaria reagindo a uma realidade internacional adversa. Ainda está para ser inventado nas terras de Santa Cruz um político que faça um mea-culpa, não é mesmo? Não seria um petista a iniciar a fila. Assim, os companheiros decidiram culpar o resto do mundo. A “companheira presidenta e governanta” está a dizer que não há nada a fazer a não ser depender da boa vontade de estranhos — quem sabe torcer que os outros se ferrem para que a gente melhore…
Entendam: isso vale por um diagnóstico. Acontece que 10 entre 11 analistas — e o que está na contramão é petista — consideram que o cenário externo para a economia brasileira será, no ano que vem, mais adverso do que neste ano. Entenderam a lógica elementar, até pedestre, da equação com a qual Dilma acena ao país? Se o mundo é culpado por nosso mau desempenho e esse mundo ainda nos será mais hostil, então… Pior: desde 2002, esta será a eleição mais arriscada para o PT. O desgaste do partido é gigantesco. Vejam, só como indicador, o resultado eleitoral do partido em Estados como São Paulo, Paraná e Rio. O quadro é de humilhação eleitoral. Em momentos assim, em vez de o PT se mostrar mais aberto, faz o contrário: ele se volta para os seus fundamentos — ou para seu discurso fundamentalista.
Não pensem, por exemplo, que aquele discurso estúpido de Dilma na ONU, quando sugeriu diálogo com cortadores de cabeça, passa em branco. Não passa, não! Ele dá notícia de uma presidente descolada da realidade internacional, periférica, isolada em seu círculo de mediocridade, incapaz de liderar uma nação emergente.
O discurso é sinal de que a jeca, em seu casaquinho que lhe corta, de forma desastrada e desastrosa, a silhueta na parte do corpo que menos a favorece, está mesmo em desarmonia com o mundo. Aquele casaquinho vermelho é metáfora de um país burro, acanhado, ao qual, cada vez mais, se dá menos bola.
Não existe petista grátis. Sempre tem um preço. O de agora é altíssimo.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/dilma-e-os-mercados-nao-existe-petista-gratis/

Mercado vê em Dilma ameaça maior do que no início da campanha

Análise

Para analistas ouvidos pelo site de VEJA, discurso eleitoral da presidente evidencia guinada à esquerda e guerra declarada ao setor privado

Ana Clara Costa
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, chega minutos antes do início do debate promovido pela Rede Record, em São Pauloq
A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, chega minutos antes do início do debate promovido pela Rede Record, em São Paulo (Felipe Cotrim/VEJA.com)
Enquanto o eleitor parece cada vez mais inclinado a oferecer à presidente Dilma Rousseff a oportunidade de um novo mandato, investidores sinalizam exatamente o oposto. Um forte movimento de venda de ações fez com que o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores, recuasse 4,52% nesta segunda-feira, a maior queda em três anos. O dólar também disparou, chegando a ser cotado a 2,47 reais — seu maior valor desde 2008, período agudo da crise financeira internacional. A moeda americana perdeu força no final do pregão e fechou a 2,45 reais. As ações das empresas estatais lideraram as baixas: Petrobras caiu 11,4%, enquanto o Banco do Brasil recuou 9%. As ações da própria BM&FBovespa recuavam 8,3% no mesmo período.
Não é de hoje que o mercado financeiro tem reagido de forma pessimista à possibilidade de reeleição da candidata petista. Desde março deste ano, as ações (em especial as da Petrobras) têm oscilado ao sabor das pesquisas eleitorais. Depois da trágica morte do peessebista Eduardo Campos, em agosto, e da ascensão de Marina Silva ao posto de presidenciável, as chances de reeleição de Dilma haviam diminuído — o que trouxe certo alívio para a bolsa e o dólar.
Contudo, a melhora da atual presidente nas pesquisas, que apontam sua vitória no segundo turno ante ambos os concorrentes, Aécio Neves e Marina, fez com que um movimento de venda de ações se aprofundasse na bolsa. O Ibovespa chegou a cair quase 6% na abertura, com os papéis da Petrobras recuando 10%. Em ambos os casos, a queda é muito mais profunda do que o que foi assistido no início de 2014, quando as primeiras pesquisas começaram a ser divulgadas criando alta volatilidade na bolsa. 
O que mudou de lá pra cá, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, é que aumentou (e muito) a aversão que o mercado nutria em relação à candidata. "Muitos têm opinião pior do que antes sobre a provável política econômica num segundo governo Dilma. Eles perceberam uma inflexão à esquerda em seu discurso, especialmente na questão envolvendo a independência do Banco Central", afirma o economista Tony Volpon, do Nomura. A presidente Dilma encampou o discurso de que ter um BC autônomo significaria "entregar o país a banqueiros". Ela também questionou a necessidade de se cumprir o superávit primário, que é a economia feita pelo governo para pagar os juros da dívida, e reafirmou seu compromisso com subsídios à indústria num momento em que o próprio setor industrial pede maior abertura econômica.
Segundo o analista Felipe Miranda, da Empiricus, antes da morte de Campos, os investidores tinham dúvida se um novo governo Dilma atravessaria uma curva de aprendizado, admitindo erros e retomando um caminho mais ortodoxo. "Hoje, resta pouca dúvida de que um segundo mandato representaria mais do mesmo, com algum recrudescimento, pois a guerra contra o setor privado, num momento em que precisamos retomar os investimentos, está declarada em caráter explícito", afirma Miranda, autor do livro O Fim do Brasil, lançado na semana passada pela editora Escrituras.
Um movimento de queda foi percebido nesta segunda-feira em todos os mercados emergentes, porém, nenhum na mesma intensidade que o Brasil. Nos Estados Unidos, o S&P recuou 0,2% e o Dow Jones, 0,25%. "É um movimento global que pode ser visto na Coreia do Sul, Taiwan, índia, Turquia, África do Sul e Israel. Isso porque acredita-se que a economia americana não está se recuperando no ritmo acelerado que antes se achava", avalia o economista-chefe da Gradual, André Perfeito.

Aécio vai apresentar programa de governo 'fatiado' pela internet

Eleições 2014

Tucano afirmou que discutirá planos por meio das redes sociais a partir desta segunda: 'Não adianta apresentar um calhamaço de papel que não será lido'

Bruna Fasano, de São Bernardo do Campo
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves durante campanha neste domingo (28), em São João del-Rei, Minas Gerais
O candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves durante campanha neste domingo (28), em São João del-Rei, Minas Gerais (Ivan Pacheco/VEJA.com)
O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, afirmou nesta segunda-feira que vai apresentar os pontos de seu programa de governo por meio das redes sociais. O tucano havia prometido apresentar o plano nesta segunda, mas afirmou nesta tarde que "não adianta apresentar um calhamaço de papel que não será lido". Em agenda em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Aécio disse que a maior parte das propostas já foi discutida durante a campanha e frisou que as ações para o Nordeste são alguns dos pontos principais do programa.
A partir das 21 horas desta segunda, haverá um bate-papo virtual pelo Facebook para abordar o capítulo sustentabilidade do plano de governo, a cargo coordenador da área, o ex-deputado Fábio Feldmann. Já na terça-feira, também pelo Facebook, será debatido o tema Estado, coordenado pelo candidato tucano ao Senado por Minas Gerais, Antônio Anastasia. Na quarta e quinta-feira serão apresentadas propostas para cidadania. Na sexta-feira, o economista Armínio Fraga debaterá com usuários das redes sociais propostas para economia.
Ao citar o plano elaborado por Fábio Feldmann, Aécio cometeu uma gafe ao confundi-lo com Walter Feldman, coordenador da campanha da adversária Marina Silva (PSB). Walter, que militou durante 25 anos no PSDB, deixou o ninho tucano há três anos após inúmeros desentendimentos com membros do partido. Corrigido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que o acompanhava na agenda, Aécio emendou: "Esse é o nosso Feldmann".
Subsídios - Questionado se seu plano de governo incluiria acabar com os subsídios para as montadoras de carros, que têm em São Bernardo um de seus principais polos, Aécio afirmou que vai "discutir todos os subsídios" e só manterá os que "tiverem efeito e forem positivos para a vida do trabalhador". "Da forma como é feito hoje, alguns amigos do poder são beneficiados, enquanto o trabalhador é penalizado", afirmou.

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Marina apagada, Aécio no ataque e Dilma 'bolada': o debate que você não viu

Maquiavel

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, durante o intervalo do debate promovido pela Rede Record neste domingo (28), em São Paulo

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, durante o intervalo do debate promovido pela Rede Record neste domingo (28), em São Paulo - Felipe Cotrim/VEJA.com

Tiro no pé – A despeito dos discursos de que o seu candidato "ganhou" o debate, integrantes das três campanhas saíram dos estúdios da TV Record com avaliações similares: a estratégia de Dilma Rousseff (PT) em tentar virar o jogo, levando a Petrobras para o centro das discussões, foi arriscada e abriu a guarda da petista – que mostrou-se visivelmente irritada durante todo o debate. “Fui o centro do debate, então nada mais justo que eu tivesse direito de responder às críticas feitas ao meu governo", disse ela.

Jogo combinado – Os petistas também se queixaram especialmente que os nanicos Pastor Everaldo (PSC) e Levy Fidelix (PRTB) atuaram sem cerimônia como linha auxiliar de Aécio Neves (PSDB). Um dos quatro pedidos de resposta que Dilma reclamou foi justamente num diálogo entre Everaldo e o candidato do Aerotrem. Aécio, aliás, chegou a brincar no final do debate quando Eduardo Jorge, do PV, previu o segundo turno entre Dilma e Marina Silva (PSB): "Eu pedi direito de resposta".

Salão – Dilma cortou o cabelo para participar do debate e voltou a usar o figurino vermelho PT. “O cabelo dela cresce horrores e as pontas estavam ressecadas, por isso parei de fazer luzes”, disse o cabeleireiro Celso Kamura.

Cola – Depois do grave erro do IBGE ao divulgar a Pnad, o marqueteiro petista João Santana tinha no seu colo papeis com números do instituto e da pesquisa.
Ânimo – Políticos e membros da campanha tucana comemoraram a performance de Aécio Neves: a avaliação foi que o desempenho na TV Record foi o melhor do candidato nos debates até agora. Para os tucanos, Aécio foi mais claro e assertivo em suas falas e ainda lucrou com a dinâmica do debate, que manteve a corrupção em tela.
Sem bateria – Já entre os "marineiros", a animação não era a mesma. Marina Silva esteve mais apagada e também deu sinais claros de cansaço com a agenda pesada de viagens e comícios.
Gogó – Marina Silva levou ao debate sua inseparável garrafa térmica com água morna, que bebericou após cada fala. Proibida de apoiar a garrafa na bancada, apoiou-a no banco disponível aos candidatos.
Reação – A direção da campanha de Marina se irritou quando Dilma lembrou que ela mudou mais de uma vez de partido. Os coordenadores planejam abordar o tema nas próximas propagandas eleitorais. “Tem que ser dito que a Dilma saiu do PDT em busca de benefícios, enquanto Marina saiu do PT no auge do partido por motivações pessoais”, disse um dirigente.
Descompasso – O presidente nacional do PSB, Roberto Amaral, discorda da tática da campanha de Marina nessa reta final da campanha. Com agenda prevista em Pernambuco nesta semana, ele avalia que ela deveria se concetrar em caminhadas e corpo a corpo em São Paulo e no Rio de Janeiro. “Tem de apostar onde ainda dá para crescer”, disse Amaral.
Queixa – Coordenadora do plano de governo de Marina, Neca Setubal reclamou do pedido de direito de resposta de Dilma Rousseff contra a fala de Marina que citou o governo. “Não acredito”, murmurou. Dirigentes do PSB acompanharam em coro: “Não pode ser oposição, isso é uma ditadura”.
Ao pé do ouvido – Herdeira do Itaú e alvo da máquina de propaganda petista, Neca Setubal ouviu conselho do vereador tucano Andrea Matarazzo: “Deixe entrar por um ouvido e sair pelo outro, não dê bola”. Ela assentiu: “É exatamente isso que estou fazendo".

Amigos, amigos, mas eleições à parte – No final do primeiro bloco, os vices de Dilma e Marina, Michel Temer (PMDB) e Beto Albuquerque (PSB) se cumprimentaram com um abraço e trocaram sorrisos. "Respeito muito, mas não dá para desejar boa sorte...", brincou Temer com Albuquerque.
Desistir jamais – Depois de uma profusão de frases controversas – que podem lhe render problemas se o Ministério Público se manifestar – sobre o casamento gay, o nanico Levy Fidelix divertiu a plateia sem precisar evocar o folclórico aerotrem. "Não sou utópico, não vamos ganhar esta eleição. Então me coloquem como investimento para 2018", disse nas considerações finais.(Mariana Zylberkan e Talita Fernandes, de São Paulo)

Corrupção na Petrobras pauta debate quente na TV


Eleições 2014

Na reta final da campanha, Dilma e Aécio travaram embates diretos em clima de tensão; em queda nas pesquisas, Marina esteve mais apagada

Talita Fernandes e Mariana Zylberkan
A TV Record realizou neste domingo (28), na sede da emissora em São Paulo (SP), o debate com os candidatos à Presidência da República
A TV Record realizou neste domingo (28), na sede da emissora em São Paulo (SP), o debate com os candidatos à Presidência da República - Felipe Cotrim/VEJA.com
A uma semana das eleições, os três principais candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB) e Aécio Neves (PSDB), protagonizaram o mais tenso debate na televisão até agora, promovido pela TV Record, com embates diretos e os escândalos de corrupção na Petrobras no centro das discussões. 
Visivelmente irritada, Dilma pediu direito de resposta quatro vezes e reclamou que estava impedida de rebater ataques laterais dos adversários. A emissora acatou somente uma queixa. A petista tentou usar seus trinta segundos extras dizer que demitiu o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, que revelou em delação premiada um esquema de propina e desvios da estatal para políticos e partidos – inclusive a campanha de Dilma em 2010, conforme revelou a edição de VEJA desta semana. Dilma, entretanto, não conseguiu completar seu raciocínio porque estourou o tempo.
Numa estratégia arriscada, a própria presidente-candidata tentou virar o jogo e levar a Petrobras para o debate: ao questionar Aécio Neves, citou um discurso de 1997 no qual o então deputado disse que a privatização da estatal petroleira "estava no radar" do governo Fernando Henrique Cardoso. A pergunta resultou num tiro no pé. Na resposta, o tucano disparou: "Não vou privatizá-la, vou reestatizá-la, tirá-la das mãos do grupo que aí está. O coordenador de campanha do PT pediu recursos para sua campanha nesse esquema e não vejo em você uma reação de indignação".

A partir daí, a maioria dos candidatos aproveitou para manter o tema no centro do debate. Pastor Everaldo, do PSC, aproveitou para lembrar que a campanha de Dilma acionou a Justiça Eleitoral contra uma peça de propaganda do PSC que apontava a corrupção na Petrobras. E até o folclórico Levy Fidelix, do nanico PRTB, abriu mão de falar do seu aerotrem para alfinetar a presidente-candidata: "Já tivemos alguns escândalos recentes, como o mensalão e outros. Ao que tudo indica, o Youssef (o doleiro Alberto Youssef) vem com novos escândalos".

Dilma ainda tentou voltar ao tema da corrupção num embate direto com Aécio ao afirmar que "deu autonomia para a Polícia Federal prender Paulo Roberto Costa". Aécio devolveu, constrangendo a rival: "A senhora não tem que autorizar a Polícia Federal a prender ninguém porque isso é uma prerrogativa cosntitucional".
Marina – Quando teve a oportunidade de escolher para quem dirigiria sua pergunta, Dilma escolheu inicialmente o confronto com Marina, sempre repetindo a linha de sua propaganda na televisão de desconstrução da imagem da rival – que esteve mais apagada do que nos debates anteriores. "A senhora mudou de partido quatro vezes em três anos, mudou de posição em questões como a CLT e a homofobia. Qual foi sua posição em relação a CPMF?", disse. Na TV, o PT tem pregado que a ex-senadora disse ter votado a favor o antigo imposto do cheque, mas os registros do Legislativo apontam o contrário. Marina evocou o senador petista Eduardo Suplicy, falou em "oposição raivosa" e tentou revidar: "Mudei de partido para não mudar de ideais e de princípios". E Dilma emendou: "Não entendo como a senhora pode esquecer que votou quatro vezes contra a criação da CPMF".
Aécio também mostrou suas armas contra Marina: além de manter o tema da corrupção na Petrobras orbitando o debate para desgastar Dilma, lembrou diversas vezes o passado de Marina no PT. Ao falar sobre o combate à inflação no governo Fernando Henrique Cardoso, cutucou: "Lutávamos contra o PT e na época a senhora era do PT".
O tucano também aproveitou uma dobradinha com Pastor Everaldo para lembrar as lamentáveis declarações de Dilma defendendo diálogo com terroristas durante a Assembleia da ONU. "Foi um dos mais tristes episódios da política externa brasileira, para perplexidade de diplomatas. A presidente usou a Assembleia da ONU para fazer autoelogios ao seu governo e também propôs diálogo com o Estado Islâmico, que está cortando a cabeça de pessoas."

domingo 28 2014

8 passos para fugir do efeito sanfona

Esqueça os hábitos do passado


Manter o peso é o resultado de uma conta matemática simples: a quantidade de calorias ingeridas deve ser a mesma da quantidade gasta. No entanto, algumas alterações no metabolismo que ocorrem com o emagrecimento fazem com que uma pessoa passe a gastar menos calorias ao ficar mais magra. Por isso, embora um indivíduo que alcançou o peso ideal não precise mais seguir uma dieta tão restritiva, ele deverá sempre ter algum controle sobre os seus hábitos. “É preciso comer menos e fazer mais atividade física para manter o peso do que antes de emagrecer”, diz a endocrinologista Rosana Radominski, do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Não faça dietas da moda

Dietas da moda, como as que proíbem a ingestão de determinados grupos alimentares, promovem uma perda de peso rápida, mas são difíceis de serem seguidas a longo prazo. “O paciente não consegue manter esse tipo de alimentação, abandona a dieta completamente e ganha todo o peso que havia perdido”, explica a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do núcleo de obesidade do Hospital Sírio-Libanês. Além disso, segundo a médica, quanto mais rápido é o emagrecimento, maior a perda de massa muscular. Como a massa muscular é fundamental para acelerar o metabolismo, esse tipo de dieta prejudica a capacidade de o corpo gastar calorias e dificulta a manutenção do peso.

Continue na academia

Após 20 anos acompanhando pacientes obesos, o grupo de médicos americanos do National Weight Control Group descobriu que 90% das pessoas que conseguem perder e manter o peso continuam praticando ao menos uma hora de atividade física por dia, mesmo depois de atingirem seus objetivos. “Mas não adianta exercitar-se se continua se alimentando mal ou a ser sedentário no resto do dia. Com o tempo, é preciso que o paciente adote hábitos como preferir a escada ao elevador ou a andar mais a pé”, diz Rosana Radominski. Os exercícios, além de aumentarem no gasto calórico, ajudam a manter a massa muscular e, portanto, a acelerar o metabolismo.

Extrapole, mas nem tanto

Manter o peso exige bom senso: apesar de a fase de emagrecimento ter acabado, é preciso sempre estar atento aos hábitos. “O trabalho de manutenção precisa acontecer a vida inteira. O paciente que perdeu peso deve consumir as calorias necessárias e se dar ao luxo de sair da linha apenas algumas vezes, e não exagerar todos os finais de semana. Ele pode deixar para comer sua sobremesa preferida no domingo, e não em dia de semana, por exemplo”, diz a endocrinologista Claudia Cozer. “É como se a pessoa tivesse um dinheiro para gastar da forma como quiser, mas sabendo que não poderá comprar nada em uma loja que seja muito cara.”

Mantenha um peso realista

Cada pessoa possui uma carga genética e vive em um ambiente que pode favorecer ou dificultar o emagrecimento. Muitas vezes, o efeito sanfona acontece porque uma pessoa quer chegar a um peso que não condiz com esses fatores e tem muito mais dificuldades em mantê-lo. “Não adianta perder 30 quilos e recuperar e perder peso várias vezes. Nesse caso, é melhor emagrecer 10 quilos, por exemplo, e conseguir manter o novo peso”, diz Rosana Radominski.

Assista menos televisão

Ainda segundo o National Weight Control Group, três em cada cinco pessoas que conseguem manter o peso assistem menos do que 10 horas de televisão por semana. De fato, não faltam estudos que comprovam a relação entre o hábito e o risco de engordar. Além disso, pesquisas já mostraram que, muitas vezes, o prejuízo de um dia sedentário não é compensado por uma aula na academia. No ano passado, pesquisadores holandeses mostraram que, mesmo praticando exercícios menos intensos, pessoas mais ativas ao longo do dia – que trocam elevador por escada ou que se levantam da cadeira com maior frequência, por exemplo – gastam mais calorias e têm níveis mais saudáveis de gordura e insulina no sangue.

Controle o stress

Segundo a endocrinologista Claudia Cozer, o stress é um reconhecido fator de risco para o ganho de peso e pode ser um grande vilão de pessoas que conseguiram emagrecer. O stress faz com que o corpo produza hormônios que, em excesso, aumentam o apetite e diminuem o controle sobre o que se come. Uma pesquisa publicada em julho de 2014 demonstrou que dias estressantes fazem com que o corpo gaste menos calorias do que o normal. E, como as pessoas tendem a consumir alimentos mais calóricos e gordurosos quando estão sob stress, o impacto na balança é ainda maior. 

Fique de olho na balança

Oscilar o peso, desde que sem exageros, é algo natural do ser humano. “Engordar 3 quilos durante o ano ou em uma viagem, por exemplo, é considerado normal”, diz a endocrinologista Claudia Cozer. Se passar muito disso, pode-se dizer que a pessoa entrou no efeito sanfona. E quanto mais episódios de oscilação de peso, mais difícil será voltar ao peso conquistado anteriormente. “Além disso, com a idade, o metabolismo fica cada vez mais lento e o corpo tem maior dificuldade em gastar calorias”, afirma Claudia. Talvez isso explique uma das conclusões dos pesquisadores do National Weight Control Group, que mostrou que três quartos das pessoas que conseguem emagrecer e manter o peso se pesam pelo menos uma vez por semana.

Efeito sanfona: saiba como evitar o problema

Emagrecimento

Manter o peso após uma dieta é um desafio, já que fatores como alterações hormonais, perda de massa muscular e avanço da idade desaceleram o metabolismo e diminuem a capacidade de o corpo gastar calorias

Vivian Carrer Elias
Efeito sanfona: quanto mais episódios de oscilação de peso, mais difícil será emagrecer de novo
Efeito sanfona: quanto mais episódios de oscilação de peso, mais difícil será emagrecer de novo (Thinkstock/VEJA)
Talvez mais difícil do que emagrecer seja sustentar o peso alcançado. Ter força de vontade para manter hábitos saudáveis a longo prazo é mais desafiador do que segui-los por pouco tempo, especialmente se uma pessoa já conseguiu emagrecer tanto quanto gostaria. Além disso, outros fatores, como a alteração hormonal, fazem com que o corpo lute contra o novo peso e favoreça o efeito sanfona. E o que é pior: segundo especialistas ouvidos pelo site de VEJA, quanto mais episódios de perda e ganho de peso, mais difícil é emagrecer novamente.
Algumas descobertas científicas vêm mostrando os motivos pelos quais é tão difícil manter o peso. Uma pesquisa australiana divulgada em 2011, por exemplo, provou que, logo após perderem peso, as pessoas apresentam alterações hormonais que aumentam o apetite, desaceleram o metabolismo e fazem com que o corpo elimine menos gordura. Mas a principal descoberta do estudo foi a de que tais alterações persistem pelo menos um ano após o fim da dieta, fazendo com que muitos indivíduos voltem a engordar mesmo se continuam controlando a alimentação.
Prejuízos — Uma pequena oscilação do peso é considerada natural: engordar 3 a 4 quilos no ano, por exemplo, não configura o efeito sanfona, como explica a endocrinologista Claudia Cozer, coordenadora do núcleo de obesidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. Muito mais do que isso, porém, pode fazer com que emagrecer fique cada vez mais difícil.
Acontece que quando uma pessoa engorda, acumula gordura. Por outro lado, se emagrece, perde tanto gordura quanto massa muscular, que é um fator importante para acelerar o metabolismo. Segundo Claudia Cozer, se esse processo de perder e ganhar peso acontece repetidas vezes, a tendência é a de que o metabolismo desse indivíduo desacelere cada vez mais. “Além disso, com o avanço da idade, que também prejudica o metabolismo, o efeito sanfona se torna cada vez mais prejudicial à manutenção do peso”, explica Claudia.
O fator genético também exerce um papel importante nesse sentido, já que o DNA de algumas pessoas favorece o ganho de peso. "Diante de todos esses fatores genéticos, ambientais, hormonais, o que menos influencia na manutenção do peso é a força de vontade do indivíduo. Muitas vezes ele não engorda porque quer, mas porque o seu corpo trabalha para que isso aconteça", diz Rosana Radominski, do departamento de obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). "Cada um tem um ponto de equilíbrio em relação ao peso corporal, e é o organismo de cada pessoa que determina isso."
Melhores hábitos — Diante de tantos obstáculos, está claro que, para manter o peso, é preciso manter hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada e rotina de exercícios físicos, permanentemente, embora com menos rigidez do que no processo de emagrecimento. "Quando a pessoa alcançar o peso ideal, não pode voltar aos hábitos que tinha antes de emagrecer. Ela não precisa fazer uma dieta restritiva, por exemplo, mas algum controle tem que fazer. Algumas pessoas não comem doce durante a semana, outras optam por comer um jantar mais leve", diz Claudia Cozer.
Há vinte anos, o grupo de médicos americanos do National Weight Control Group (NWCR) se dedica a estudar a manutenção do peso. Nessas duas décadas, os pesquisadores publicaram uma série de pesquisas científicas e acompanharam milhares de pessoas obesas que tentaram perder peso. Diante de todos os dados, eles descobriram o que a maioria pessoas que conseguem manter o peso após emagrecer tem em comum: elas continuam controlando a alimentação, praticam atividade física, tomam café da manhã todos os dias, se pesam com frequência e assistem poucas horas de televisão.
"A fase mais difícil da dieta é a manutenção, porque existe uma tendência de o corpo recuperar o peso e de o organismo economizar calorias após emagrecer", diz Rosana Radominski. "E o que se observa é que é preciso comer menos e fazer mais atividade física para manter o peso do que antes de emagrecer. A mudança de hábito é difícil, mas o paciente deve reciclar os seus aos poucos para atingir seu objetivo."

Luiz Estevão é preso em Brasília - Ex-senador começa a cumprir pena de três anos e seis meses. Ele falsificou atas para acobertar desvios em obra

Justiça

Ex-senador começa a cumprir pena de três anos e seis meses. Ele falsificou atas para acobertar desvios em obra

Gabriel Castro, de Brasília
O ex-senador Luiz Estevão
O ex-senador Luiz Estevão (Marcia Gouthier/Folha Imagem/VEJA)
O ex-senador Luiz Estevão foi preso na manhã deste sábado em sua casa, em Brasília, e começou a cumprir uma pena de três anos e seis meses. Ele permanecerá preso inicialmente na superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde corre o processo que motivou a prisão.

Na quinta-feira, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, negou o último recurso apresentado pela defesa do ex-senador. Por causa da pena reduzida, Estevão não deve passar muito tempo na cadeia. Ele terá direito ao regime semiaberto.

Luiz Estevão já havia sido preso em 2000, mas passou poucos dias na prisão. O ex-senador foi cassado também em 2000, por sua participacão no desvio de verbas na obra do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.
A condenação que levou o ex-parlamentar novamente à cadeia tem relacão com o caso: Estevão adulterou livros contábeis para acobertar fraudes que permitiram o desvio de mais de 170 milhões de reais da obra. A construtora responsável pelo empreendimento era de propriedade do então senador.

Apesar de não estar disputando as eleições, ele é o atual presidente do PRTB do Distrito Federal e tem participado ativamente da campanha de Jofran Frejat (PR) ao governo. Frejat substituiu José Roberto Arruda (PR), que foi barrado por causa da Lei da Ficha Limpa.
Na decisão que motivou a prisão de Estevão, o ministro Toffoli afirmou que o recurso da defesa era protelatório. "Considerando, ainda, o caráter manifestamente protelatório do recurso, bem como o risco iminente da prescrição da pretensão punitiva independentemente da publicação desta decisão, determino baixa dos autos ao juízo de origem".

O futuro incerto da Petrobras após doze anos de PT

Empresas

Troca de diretores, mudança no modelo de gestão e fim do fisiologismo: saiba o que os candidatos prometem fazer com a maior estatal do país caso vençam

Naiara Infante Bertão, do Rio de Janeiro
Lula e Dilma se encontram em Brasília
Lula e Dilma: depois da descoberta do pré-sal, em 2007, estatal sofreu baques financeiros e de credibilidade (Ricardo Stuckert/Instituto Lula/VEJA)
Endividada e aparelhada, a empresa deixou de ser a joia da coroa petista e virou a estatal dos panos quentes
Quando assumiu a presidência da Petrobras, em 13 de fevereiro de 2012, Graça Foster protagonizou uma cerimônia digna de chefe de estado. Assistiram à posse ao menos uma dezena de governadores, além de cabeças coroadas do Congresso e do meio empresarial. A convidada de honra foi sua amiga de longa data, a presidente Dilma Rousseff. Num discurso que enaltecia a Petrobras e o trabalho de Graça, Dilma afirmou que a indicação era decorrente do mérito da funcionária, que iniciou carreira na empresa havia mais de três décadas. "Agora é tudo contigo, graciosa”, disparou a presidente, ao encerrar o pronunciamento. Dois anos e sete meses depois, a Petrobras é o epicentro de um escandaloso esquema de corrupção que, segundo a Polícia Federal, drenou mais de 10 bilhões de reais, tudo indica, para partidos da base aliada. Graça teve de prestar contas ao Congresso, ser sabatinada numa CPI e só não teve seus bens bloqueados porque houve pressão do Palácio do Planalto junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). Endividada e aparelhada, a empresa deixou de ser a joia da coroa petista e virou a estatal dos panos quentes. Entre seus ex-diretores, um foi preso e seis são investigados. O restante foi colocado em descrédito.
VEJA
É com esse pano de fundo pouco animador que o governo que assumir em 2015 terá de trabalhar. O site de VEJA conversou com mais de vinte empresários, especialistas, políticos do alto escalão dos partidos e ex-diretores. A expectativa é unânime: não importa quem ganhe nas urnas, tudo mudará na liderança da estatal. Seja por convicção do novo presidente ou por pressão pública sobre Dilma, se reeleita. No seio do PT, a estratégia é executar uma “faxina” na diretoria da estatal, como forma de apresentar à sociedade alguns bodes expiatórios. Uma das primeiras baixas deve ser a própria Graça Foster. Se sua saída é dada como certa caso vençam Marina Silva ou Aécio Neves, a executiva já afirmou a pessoas próximas que não ficará na Petrobras nem mesmo se Dilma Rousseff se reeleger. “Está cansada e sob intensa pressão. Só está esperando as eleições terminarem para sair”, afirmou um político da alta cúpula petista a quem Graça fez confidências.
Os laços — Escolher os diretores da estatal é uma decisão tão política quanto técnica. A par dessa dinâmica, os engenheiros de carreira da empresa que querem chegar à cúpula se apressam em buscar apadrinhamento político. Os senadores Renan Calheiros e Fernando Collor e o ministro Edison Lobão estão entre os padrinhos mais prestimosos. A área de Exploração e Produção é a mais visada, já que representa cerca de 70% do orçamento da companhia. Durante a gestão de José Sergio Gabrielli, a cadeira foi ocupada pelo geólogo petista Guilherme Estrella. Com Graça, o cargo, que era cobiçado pelo PMDB, passou para José Miranda Formigli Filho, homem de confiança da executiva. Também desperta a cobiça das legendas a área de Abastecimento, que até 2012 foi latifúndio de Paulo Roberto Costa, preso no âmbito da Operação Lava Jato. Para seu lugar, Graça nomeou José Carlos Cosenza, cuja indicação foi uma exigência do PMDB. “Tenho mais de 28 anos de Petrobras e nunca vi diretor do alto escalão que não seja ligado politicamente a partidos aliados”, afirma o engenheiro Silvio Sinedino, que representa os funcionários no Conselho de Administração da estatal.
As promessas — A equipe de Aécio aponta que o fisiologismo de praxe estaria com os dias contados na Petrobras, em caso de vitória. “Queremos isolar as indicações políticas e escolher por mérito. Daremos preferência a funcionários da estatal. Mas, se tivermos que contratar um presidente do mercado, faremos isso”, afirma Adriano Pires, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e responsável pela área de petróleo da campanha do candidato tucano. A mesma ideia é defendida pela equipe de Marina Silva, que pretende criar um comitê composto por acadêmicos e especialistas para renovar os quadros de todas as estatais e agências reguladoras. Segundo o tesoureiro da campanha, Bazileu Margarido, os peessebistas preveem um novo modelo de gestão para as estatais baseado em diretrizes de mercado, como meritocracia e eficiência, mas também compromisso ético com o projeto de governo, e não com um grupo político específico. “Permanecerão os que estiverem alinhados”, afirmou, deixando claro que as mudanças seriam implementadas nos primeiros 100 dias de governo. 
Em seu programa de governo, Marina não dedicou muitas linhas ao pré-sal, o que foi suficiente para que a artilharia petista disparasse que a ex-senadora deixaria a Petrobras de escanteio. De fato, o programa prevê priorização de investimentos em energias renováveis e diminuição do uso das termelétricas. A palavra pré-sal é citada uma única vez para se referir à transferência dos royalties do petróleo à educação. Marina, contudo, rebateu as críticas afirmando que manterá a estratégia vigente, ao mesmo tempo em que estimulará a geração de energia limpa. "Enquanto essa mentira é alardeada por todos os meios, a Petrobras é destruída pelo seu uso político, apadrinhamento e corrupção”, disse a candidata.
Apesar de não ter publicado um plano de governo detalhado, o PSDB deu algumas sinalizações: o presidente do Conselho não será mais o ministro da Fazenda, e o modelo de partilha do pré-sal terá de ser revisto. Atualmente, a Petrobras tem uma participação de 30% em todos os blocos de exploração. Isso significa que seus investimentos devem ser proporcionais à sua fatia nos consórcios. O problema é que o endividamento de 307 bilhões de reais que a estatal acumula coloca dúvidas sobre sua capacidade financeira de investir. Segundo o presidente do DEM, o senador Agripino Maia, não há como a Petrobras garantir tais aportes se seu caixa estiver sangrando. Por isso, a oposição defende o modelo de concessão. “Esse modelo propiciou autossuficiência à empresa. Já o de partilha pode até ter coisas positivas, mas obriga a Petrobras dispor de um capital que ela não pode garantir que terá”, afirma Maia. Segundo o senador e candidato a vice de Aécio, Aloysio Nunes, tanto a troca de cadeiras quanto a revisão das políticas não seria tarefa demorada, caso os tucanos vencessem. “A empresa tem um quadro muito qualificado, composto por gente que dedica a sua vida a isso. Não teríamos descoberto pré-sal se não fosse por elas. E justamente por isso, quanto antes as mudanças forem feitas, mais rápido a empresa volta a ter resultado”, afirma.
Ficou no ar — Não foram aprofundadas, contudo, discussões sobre a política de conteúdo nacional implementada por Dilma, que prevê que a estatal compre da indústria brasileira mais de 60% de seus insumos. Desde 2011, a Petrobras é submetida à regra. Como a indústria local não tem sido capaz de suprir a demanda, projetos estão em atraso constante, como é o caso da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. “As descobertas dos últimos anos, em especial do pré-sal, elevaram em cinco vezes a demanda da indústria. É muito difícil acompanhar esse ritmo em tão pouco tempo. O que aconteceu foi que a oferta de serviços, produtos e mão de obra nacional não conseguiu acompanhar e as empresas estão com dificuldade de cumprir suas metas”, diz Antônio Guimarães, secretário-executivo do Instituto Brasileiro de Petróleo (IBP). Dilma já afirmou que a política “é uma conquista de seu governo” e que não pretende mudar nada. Aécio e Marina não discorreram sobre o tema.
O debate também ocorre de maneira superficial no âmbito do reajuste do preço da gasolina. Desde 2012 os aumentos do valor do barril no mercado internacional não são integralmente repassados pela Petrobras aos consumidores, num intento do governo de frear o avanço da inflação. Apenas em 2014, o prejuízo da área de Abastecimento, que controla as importações de gasolina, chega a 3 bilhões de reais. A estatal deixou de ganhar 45 bilhões de dólares desde 2012 devido ao congelamento de preços da gasolina, segundo levantamento do CBIE. Os candidatos falam de forma genérica em equiparação com os valores que são praticados lá fora. Mas não detalham se os reajustes seriam feitos de uma só vez ou paulatinamente.
Constrangimento — O clima na empresa tem sido fúnebre desde a prisão de Paulo Roberto Costa. Piorou com a instauração da CPI sobre a compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Desde que a reportagem de VEJA revelou o esquema de fraude nos depoimentos da CPI, a atmosfera beira o insuportável. Engenheiros que visitavam a feira Rio Oil & Gas, há duas semanas, no Rio de Janeiro, afirmaram que a constante presença da estatal no noticiário policial transformou seus funcionários em motivo de chacota no setor. O constrangimento é geral e não poupa nenhum escalão. 
Em Brasília, contudo, há mais nomes temerosos do que constrangidos. Se os apadrinhados da diretoria estão na corda bamba, os padrinhos também temem possíveis mudanças. Isso não significa que acreditem que qualquer um dos três candidatos tenham cacife para livrar a Petrobras do loteamento. Aliás, olham com certo ceticismo para os discursos de tucanos e 'marineiros' sobre implementar políticas de meritocracia na cúpula da estatal. O que aliados temem é que, diante dos holofotes que se armaram sobre a empresa, a troca de favores fique ainda mais evidente.
Exemplo do fisiologismo comum na capital federal é que se condicione o apoio à votação de projetos no Senado a cargos estratégicos. No ano passado, o presidente do Senado, Renan Calheiros, colocou na pauta o projeto de independência do Banco Central, que o PT é sistematicamente contra. O texto foi engavetado quando o senador conseguiu emplacar um aliado na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Em 2012, quando Paulo Roberto Costa foi demitido por Graça da Petrobras, o PP protagonizou uma mini-rebelião contra o governo na Câmara. Não queria que seu protegido abandonasse a galinha dos ovos de ouro.
Na hipótese de vitória de Dilma, a bancada do PT deve diminuir no ano que vem, de acordo com as mais diversas projeções. Com o PSB na oposição, além do próprio PSDB, o bloco governista vai ser menor. E, inevitavelmente, o preço do apoio de PMDB, PP e PTB vai sair mais caro. O mesmo vale se Aécio ou Marina vencerem. Ou seja: quem entrar terá de inventar algo muito ardiloso para conseguir banir as castas que se alimentam da estatal.
Com reportagem de Gabriel Castro, Luís Lima e Talita Fernandes

PataTiva do Assaré Cabra da peste





sábado 27 2014

NÃO VOTE NO PT. VEJA ISTO PADRE FALA A VERDADE I





HD 1080p "Singin' in the Rain" (Title Song) 1952 ~ Gene Kelly





PAULO ROBERTO COSTA REVELA: PALOCCI PEDIU DINHEIRO DA QUADRILHA QUE OPERVA NA PETROBRAS PARA A CAMPANHA DE DILMA

Veja.Com

Segundo Paulo Roberto, em 2010,  Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma
Segundo Paulo Roberto, em 2010, Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma
O engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso na Polícia Federal do Paraná, deve ser solto até segunda-feira. Será monitorado por uma tornozeleira eletrônica. A liberdade é parte do acordo de delação premiada. De saída, pode-se afirmar que a concessão só está sendo feita porque se considera que, até aqui, ele efetivamente está contribuindo para desvendar os meandros dos crimes cometidos pela quadrilha que operava na Petrobras. Há duas semanas, VEJA revelou parte do que ele disse à Polícia e ao Ministério Público, incluindo a lista de políticos que, segundo ele, se beneficiaram do esquema. Lá estão cabeças coroadas do Congresso e também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Na edição desta semana, VEJA revela um conteúdo que compõe o núcleo atômico da denúncia. Paulo Roberto liga o esquema corrupto à eleição de Dilma Rousseff em 2010. É isso mesmo!
Costa, como se sabe, era diretor de Abastecimento da Petrobras. Por sua diretoria, passavam negócios bilionários, como a construção de refinarias, aluguel de navios e plataformas e manutenção de oleodutos. Ele chegou ao posto em 2004 — e lá permaneceu até 2012, já no governo Dilma — pelas mãos do PP, mas foi adotado depois pelo PMDB e pelo PT. As empreiteiras que negociavam com ele pagavam 3% de comissão, e o dinheiro era distribuído, depois, a políticos. Sim, Paulo Roberto pegava a sua parte. Só em uma de suas contas no exterior, há US$ 23 milhões.
Era íntimo do poder. Lula o tratava por “Paulinho” — o Apedeuta, como se sabe, é doce com os amigos… Pois bem: Paulo Roberto revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, que já tinha sido membro do Conselho da Petrobras, precisava, com urgência, de R$ 2 milhões. Sim, vocês entenderam: pediu, segundo o engenheiro, que a quadrilha que traficava com o interesse público lhe arrumasse a dinheirama. Nota à margem: em 2010, Palocci era um dos três homens fortes da campanha de Dilma. Os outros dois eram José Eduardo Cardozo, hoje no Ministério da Justiça, e José Eduardo Dutra, hoje numa diretoria da Petrobras. Dilma os apelidou de seus “Três Porquinhos”. Palocci, um dos porquinhos, virou ministro da Casa Civil, mas teve de deixar o cargo porque não conseguiu explicar como ficou tão rico atuando como… consultor. Adiante.
Dilma tem feito o diabo para sustentar que não sabia da casa de horrores em que havia se transformado a Petrobras. Como notou um ouvinte de “Os Pingos nos Is”, o programa  diário que ancoro na Jovem Pan, a “candidata Dilma” é aquela que finge saber tudo, e a “presidente Dilma” é aquela que nunca sabe de nada.
O dinheiro, afinal, foi parar no caixa dois da campanha de Dilma? A ver. Paulo Roberto operava por cima: negociava a propina com as empreiteiras, pegava a sua parte e depois deixava a cargo dos políticos. A sua diretoria pertencia à cota do PP — e foi a essa cota que Palocci pediu o dinheiro. A distribuição da bufunfa era feita pelo doleiro Alberto Youssef, que também fez um acordo de delação premiada. Ele poderá dizer se a dinheirama ajudou a financiar a campanha da agora presidente, que concorre à reeleição.
Embora adotado pelo PMDB e pelo PT, reitere-se, Paulo Roberto era o homem do PP. Os petistas, no entanto, tinham também o seu braço na estatal: Renato Duque, que ficou 10 anos na Diretoria de Serviços. Segundo Paulo Roberto, Duque operava exclusivamente para os petistas. Não percam isto de vista: de acordo com a denúncia, Palocci foi pedir R$ 2 milhões da cota do PP. Se mais pediu de outras cotas, eis uma possibilidade que tem de ser investigada.
Atenção! Paulo Roberto Costa só poderá ser beneficiado pelo estatuto da delação premiada se as informações que fornecer forem úteis à investigação. Se está prestes a sair da cadeia, é sinal de que a apuração está avançando.
Palocci e Dilma dizem qualquer irregularidade e dizem não saber de nada.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/paulo-roberto-costa-revela-palocci-pediu-dinheiro-da-quadrilha-que-operva-na-petrobras-para-a-campanha-de-dilma/