domingo 30 2012

Aécio Neves diz que Lula age como chefe de facção


Oposição

Senador do PSDB rebateu as críticas feitas pelo ex-presidente a adversários políticos e disse que falta humildade e competência a Fernando Haddad

O senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves
O senador por Minas Gerais, Aécio Neves (Carlos Rhienck/Folhapress)
"Lula está abdicando da condição de ex-presidente de todos os brasileiros para ser um líder de facção", Aécio Neves, senador
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou nesta sexta-feira que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva age "como líder de facção" e mancha a própria biografia ao defender os réus do mensalão. Para Aécio, Lula ataca a oposição "de forma extremamente agressiva" nos palanques eleitorais. "O lulismo, da forma que existia, quase messiânico, que apontava o dedo e tudo seguia na mesma direção, não existe mais", afirmou o senador.
Em entrevista concedida nesta sexta-feira em um hotel na orla de Maceió, Aécio respondeu às declarações de Lula contra os tucanos nos palanques eleitorais, principalmente em São Paulo. Segundo Aécio, os ataques mostram o desespero do ex-presidente. "O lulismo sempre terá avaliações positivas em algumas regiões de sua influência, mas, da forma como existia no passado, não existe mais", disse. "Lula está abdicando da condição de ex-presidente de todos os brasileiros para ser um líder de facção. Não é bom para ele, nem para sua história."
O senador afirmou que o julgamento do mensalão será como virar uma página na história do Brasil. "O julgamento fortalece a ética na política. Teremos um Brasil melhor."
Para Aécio, a tática virulenta de Lula tem surtido efeito inverso, como no caso de Belo Horizonte, onde o ex-presidente fez ataques a Fernando Henrique Cardoso. "Parece que o incomoda ainda bastante a figura de Fernando Henrique, mas sua ida a Minas não alterou em nada as pesquisas eleitorais", disse.
Aécio disparou também na direção do candidato petista à prefeitura de São Paulo. Fernando Haddad o chamou de despreparado para ser presidente da República e o aconselhou a ler mais - um livro por semana, ao menos. "Acho que ele passou ali um recado ao presidente Lula. Ele não me parece satisfeito com o apoio do ex-presidente", disse o tucano, lembrando que, apesar do "tsunami de recursos financeiros investidos", a campanha de Haddad não deslanchou.
O senador disse que preferia ser lembrado por Haddad com mais gentileza. "Achei que ele fosse me cumprimentar, por ter levado Minas Gerais a ser o estado que tem a melhor educação fundamental do Brasil", disse. "Se ele me perguntasse a receita, eu lhe diria: é humildade e competência, duas características que ele não demonstrou ter ao longo da sua vida pública. É uma oportunidade de ele perceber que, para avançar na vida pública, não basta apenas um padrinho político."
Eleições presidenciais - Questionado sobre as eleições presidenciais de 2014, o senador disse que não quer "colocar o carro na frente dos bois". "Agora nós vamos nos dedicar a sair bem das eleições municipais, principalmente no Nordeste e, em 2013, vamos discutir com a sociedade qual a nova agenda do país", disse. "A partir daí, vai surgir uma candidatura. Se recair sobre mim essa responsabilidade, obviamente eu estarei preparado."
De olho na eleição de 2014, Aécio realiza um périplo por cidades nordestinas, como Maceió, onde candidatos tucanos disputam a prefeitura. O objetivo tem mão dupla: de um lado, ele dá impulso nessas candidaturas na reta final e de outro, fortalece seus laços políticos com lideranças regionais para uma eventual candidatura presidencial. Na passagem por Alagoas, ele fez uma carreata pelas principais ruas de Maceió ao lado do candidato tucano Rui Palmeira, líder disparado nas pesquisas, e depois seguiu para Arapiraca, onde o candidato do partido, Rogério Teófilo, encontra dificuldades. De Alagoas, Aécio seguirá para a Bahia.
(Com Agência Estado)

Estudo com molusco sugere que chocolate melhora a memória


Biologia

Pesquisadores do Canadá submeteram caracóis a altos níveis de flavonoides, que é encontrado no cacau. Como resultado, os animais conseguiram armazenar estímulos respiratórios por três dias

caracol pneumostômio respiração chocolate
  O caracol respira pela pele mas, em baixos níveis de oxigênio, ele se utiliza de uma espécie de tubo respiratório (pneumostômio) que busca ar na superfície. (Ken Lukowiak)
Uma dieta rica em flavonoides, um componente encontrado no insumo básico para a fabricação de chocolates, o cacau, pode ajudar a melhorar a memória. Para chegar à conclusão, dois pesquisadores da universidade canadense de Calgary, Lee Fruson e Ken Lukowiak, deram a substância a uma espécie de caracol (Lymnaea stagnalis). O cacau é rico em epicatequina, um tipo específico de flavonoide. A substância também é encontrada no vinhos tinto e no chá verde. 
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: A flavonol present in cocoa [(-)epicatechin] enhances snail memory

Onde foi divulgada: periódico The Journal of Experimental Biology

Quem fez: Ken Lokowiak e Lee Fruson

Instituição: Universidade de Calgary, no Canadá

Resultado: Os dois pesquisadores mostraram que caracóis treinados em água com alta concentração de um componente chamado epicatequina, presente no cacau, armazenam mais memória e por mais tempo. De acordo com Ken Lokowiak, as informações coletadas pelo estudo sugerem que um processo similar ocorre em humanos.
Ver os efeitos que apenas um flavonoide tem sobre a cognição em humanos é quase impossível, de acordo com Lukowiak, já que diversos fatores externos influenciam a formação de memória nas pessoas. Por isso eles escolheram realizar os experimentos no molusco, que é encontrado em lagoas, para medir a ação do flavonoide na memória.
Lokowiak explicou que as informações coletadas pelo estudo levam a crer que o flavonoide tenha desempenho semelhante em humanos. "Até o momento, todos os dados de caracóis, vermes e moscas mostraram que os mecanismos que agem neste animais são similares aos que atuam nos neurônios humanos", disse o cientista ao site de VEJA.
Graças à substância, a dupla de estudiosos conseguiu treinar e ampliar a memória respiratória do caracol. Normalmente, esse minúsculo animal respira pela pele. Em baixos níveis de oxigênio, como quando submerso em água desoxigenada, ele se utiliza de uma espécie de tubo respiratório (pneumostômio) que busca ar na superfície. Um simples toque no pneumostômio, no entanto, é o suficiente para fazer com que ele recolha o tubo respiratório. Com treinamento de 30 minutos, o molusco pode armazenar a memória desse estímulo por apenas três horas. 
O experimento - Primeiro, o animal ficou em contato com uma água com alta concentração de epicatequina. Um dia depois, ele foi colocado em água desoxigenada com o objetivo de constatar se, após exposto à epicatequina, o caracol se lembraria de manter o tubo fechado. Surpreendentemente, os moluscos não abriram o pneumostômio na ocasião. Além do mais, quando os cientistas realizaram duas sessões de treinamento com níveis elevados do flavonoide, o caracol lembrou-se de manter o tubo contraído nos três dias seguintes.
Com pouco oxigênio na água, e sem a ajuda do pneumostômio, o caracol pode sobreviver por até 36 horas, diz Lokowiak.
As evidências da ação do flavonoide ganharam ainda mais força quando Fruson e Lukowiak, posteriormente, fizeram o caminho contrário e tentaram apagar as memórias adquiridas sob o efeito da substância. Eles realizaram estímulos inversos, que induziriam os caracóis a abrirem os tubos respiratórios. Só que os animais não responderam. Isso leva a crer, segundo os pesquisadores, que a memória adquirida sob o efeito da epicatequina foi mais forte do que o novo estímulo para ser suplantada. A explicação para isso é que o componente epicatequina age diretamente sobre os neurônios que armazenam memória.   

Rodrigo Santoro encarna líder anarquista em épico de Roland Joffé


Festival do Rio

Ator compara a atual superprodução épica com sua experiência ao filmar '300'

Fabíola Ortiz, do Rio de Janeiro
Rodrigo Santoro está no elenco de 'Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão'
Rodrigo Santoro está no elenco de 'Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão' (Divulgação)
Recém chegado ao Brasil após as filmagens de 300: Rise of an empire, na Bulgária, Rodrigo Santoro conversou com a imprensa neste sábado, no Armazém Utopia, no Cais do Porto. A visita à cidade é para apresentar, no Festival do Rio, que exibe Encontrarás Dragões: Segredos da Paixão (There Be Dragons, 120 min), longa de Roland Joffé que terá pré-estreia neste domingo, na sessão de gala no Cine Odeon, às 19h30.
A super produção de 36 milhões de dólares foi gravada durante 15 semanas, na Argentina, em 2010 sob a direção do britânico que já realizou A Missão (1986), O Início do Fim (1989), A Letra Escarlate (1995) , Vatel - Um Banquete Para o Rei (1999), Misteriosa Paixão (1998) eCativeiro (2007). Joffé se apoia no pano de fundo da guerra civil espanhola para contar uma história de amizade, amor e fé.
“Eu faço Oriol, um anarquista muito diferente do personagem que fiz em Che, que estava na revolução cubana. Oriol fica completamente apaixonado pela primeira vez na sua vida, mas não podia, porque estava lutando numa guerra, e isso era contra os códigos. Fiquei tocado por essa história. Havia socialistas, comunistas e republicanos lutando na guerra civil espanhola”, disse o ator.
Santoro, aos 37 anos, coleciona atuações em produções hollywoodianas, como no filme As Panteras Detonando (2003), e em I Love You Phillip Morris, ao lado de Jim Carrey. Passou também por produções estrangeiras como no seriado americano Lost (2006), e fez um vilão no filme 300, além de Che – O Argentino (2008), do diretor Steven Soderbergh, ao lado de Benício del Toro.
“Não sabia muito sobre a guerra civil, apenas o que tinha aprendido na escola. Tive ajuda do Instituto Cervantes no Rio que me forneceu material de arquivo, imagens, filmes e livros para pesquisar sobre o tema. O tema me fascinou, é uma história comovente”, contou.
Produção - Perguntado sobre como foi fazer parte do elenco de um grande épico, Santoro comparou com a experiência que teve em fazer 300. Em Encontrarás Dragões, muitas das cenas de batalha foram filmadas em praças na cidade de Buenos Aires, para ambientar a Madri da década de 30.

“Fizemos um processo de preparação com Roland e com os atores por duas semanas antes de começarmos a rodar na Argentina. Sempre admirei Rolland como diretor, seus filmes eram uma referência para mim. Mas 300, também considerado um épico, foi todo filmado no estúdio. Neste caso, nós filmamos em Buenos Aires e fechamos uma praça para filmar as cenas de batalha. Pude sentir o tamanho e a dimensão de uma grande produção”.
No elenco, Robert é interpretado por Dougray Scott. O presonagem é um jornalista que chega a Madri para pesquisar a vida do padre Josemaría Escrivã (na pele de Charlie Cox), fundador da Opus Dei. Ele acredita que conseguirá informações com seu distante pai, Manolo, que foi amigo de infância e colega de seminário de Josemaría. No entanto, Manolo se recusa a falar do passado e não parece disposto a se reaproximar do filho. Robert continua sua pesquisa, descobrindo os segredos do pai, enquanto ele relembra o passado, quando ele e Josemaría seguiram caminhos diversos em meio aos violentos acontecimentos da guerra.
“As pessoas dizem que a história se repete para que não cometamos os mesmos erros. Para mim, a história é uma espiral, não acontece igual, mas tem semelhanças. Muitos dos temas deste filme podem ocorrer daqui a 20 anos, pois tem a ver como os seres humanos convivem. A guerra civil na Espanha acabou, mas não quer dizer que deve ser esquecida. Um tio avô meu lutou na guerra e contou o sofrimento que viu”, disse Joffé.
Apesar da temática espanhola, o longa foi todo rodado em inglês. “Esta é uma questão financeira. Para arrecadarmos recursos tínhamos que ter um filme em inglês. É assim como funciona para se conseguir a distribuição”, justificou Joffé.

Dose tripla - Na edição de 2012 do Festival do Rio, Santoro vem em dose tripla. Além deEncontrarás Dragões: Segredos da Paixão; ele também poderá ser visto contracenando com Nicole Kidman e Clive Owen em Hemingway & Gellhorn, dirigido por Philip Kaufman e produzido pela HBO; e sua voz dará vida a diferentes personagens da animação brasileira Uma história de amor e fúria, de Luiz Bolognesi, primeira animação a concorrer ao troféu Redentor na Première Brasil.
“Me sinto feliz em estar de volta a casa e em participar destes três filmes que estão neste festival. A minha vida está em constante movimento e me sinto bem, mesmo viajando e trabalhando muito o que me deixa cansado”, admitiu.
Após finalizar as gravações na Bulgária há cerca de um mês, Santoro viajou pela Europa e Estados Unidos. No momento, ele já trabalha na próxima animação, a parte dois de Rio, de Carlos Saldanha.