domingo 15 2012

PSD o partido onde os ricos se encontram

O novo partido criado por Gilberto Kassab só não é mais rico que o PMDB. Integrantes da nova bancada acumulam quase 20% de todo o patrimônio declarado por todos os 667 congressistas da atual legislatura
"Não temos perfil conservador. Somos de centro", diz o líder do partido, Guilherme Campos
Ele foi anunciado em março por seu criador como um partido que não é de direita, nem de esquerda, nem de centro. Sete meses após a famosa declaração do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o Partido Social Democrático (PSD) nasce oficialmente hoje no Congresso como uma legenda de ricos e empresários. A maioria deles, ruralistas. Mais da metade da nova bancada tem na atividade empresarial sua principal ocupação. A soma dos bens declarados à Justiça eleitoral pelos congressistas do PSD também faz dele o segundo partido mais rico do Parlamento, atrás apenas do PMDB.
Entre titulares, suplentes e licenciados, o PSD havia arrebanhado 57 deputados e dois senadores até a última segunda-feira. Um número que ainda pode crescer. Desses 59 nomes, 42 (71%) são empresários urbanos ou rurais. Praticamente o mesmo número atua na defesa do agronegócio, como integrantes da bancada ruralista. Juntos, os discípulos do prefeito paulistano no Congresso acumulam um patrimônio de R$ 367,6 milhões. Ou seja, embora representem apenas 8,8% dos congressistas, eles respondem por quase 20% do total de R$ 1,94 bilhão declarado em bens pelos 667 parlamentares que exerceram mandato na atual legislatura.

O PSD abriga o parlamentar mais rico de todo o Congresso, o deputado João Lyra (AL), usineiro dono de uma fortuna declarada de R$ 240,4 milhões, acusado de trabalho escravo no Supremo Tribunal Federal (STF). Outros dois deputados do novo partido também somam mais de R$ 10 milhões em bens, Paulo Magalhães (BA) e Roberto Dorner (MT). Ao todo, 34 representantes do partido de Kassab no Congresso informaram à Justiça possuir mais de R$ 1 milhão em bens.
Plural e eclética
O número de empresários na bancada surpreendeu até o futuro líder do partido na Câmara, Guilherme Campos (SP), ele próprio empresário em Campinas. “Tudo isso? É surpreendente. Temos também muitos representantes do agronegócio. A força da nossa representação está na pluralidade. É uma bancada eclética e diversa com gente de vários setores”, afirma o deputado, recém-desfiliado do DEM.
Como exemplo dessa diversidade, Guilherme cita a presença dos deputados Ademir Camilo (MG), ex-PDT, e Roberto Santiago (SP), ex-PV, que têm origem no movimento sindical e ligações com a União Geral dos Trabalhadores (UGT). “Não somos de direita, nem de esquerda. Nem temos perfil conservador. Somos de centro”, avalia o novo líder, destoando da célebre frase de Kassab.
Embora rechace que a representação do PSD no Congresso seja conservadora, Guilherme Campos admite que o novo partido ainda não tem uma identidade bem definida. “Estamos em um processo de construção, que ainda vai definir a cara do partido. Mas isso, por enquanto, ainda não está claro”, reconhece.
Ruralistas
A cara do novo partido concilia hoje traços urbanos e rurais. Atualmente, 28 parlamentares do novo partido fazem parte da Frente Parlamentar da Agropecuária. Entre eles, o presidente da frente, deputado Moreira Mendes (RO), e a presidenta da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), senadora Kátia Abreu (TO). Outros nove deputados do PSD também têm atuação destacada na defesa do agronegócio, embora não façam parte da principal frente parlamentar dos ruralistas.
Integrante da frente, empresário rural com patrimônio avaliado em R$ 12,5 milhões, o deputado Roberto Dorner vê em sua nova legenda um caminho para atuar com mais liberdade. “Não somos a favor nem contra o governo”, diz o deputado, que se desfiliou do governista PP. “Não tenho nada contra meu ex-partido, mas precisava de mais espaço para ter opinião e palavra”, afirma.
O novo líder do PSD conta que trabalhará para conciliar eventuais divergências dentro da bancada. “Primeiro, temos de acertar a estrutura do partido, com espaço físico e assessoria. Depois, teremos de respeitar a história de cada parlamentar quando tratarmos de questões que não forem consensuais”, explica. A formação da nova bancada será oficializada em ato na Câmara nesta quarta-feira (26). Guilherme Campos acredita que o PSD possa aumentar, nos próximos dias, sua representação nas duas Casas.
Só a numerosa bancada do PMDB é mais endinheirada que a do PSD. Os 110 peemedebistas acumulam R$ 408,29 milhões em patrimônio. A bancada assumiu a liderança após ser reforçada, no último mês, com a filiação do deputado Sandro Mabel (GO), ex-PR. O dono da fábrica de bolachas figura entre os dez congressistas mais ricos, com mais de R$ 70 milhões em bens. Sem ele, o PMDB ficaria atrás do PSD em volume patrimonial.
*Colaborou Aline Macedo
 http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/manchetes-anteriores/o-mapa-da-riqueza-no-congresso/

O mapa da riqueza no Congresso Nacional


PMDB, PSD e PR são os partidos que reúnem os parlamentares com maior patrimônio declarado. Veja a distribuição patrimonial entre as legendas no Congresso

Filiação de Mabel (D) fez o PMDB, de Valdir Raupp (E), se tornar o partido com parlamentares que acumulam maior patrimônio
 Quando trocou há um mês o PR pelo PMDB, de olho nas eleições municipais, o deputado Sandro Mabel (GO) não alterou apenas a composição de duas bancadas. Provocou a inversão de posições no ranking dos partidos que reúnem os congressistas mais ricos da atual legislatura: o PMDB tomou a liderança do PR, que caiu para a terceira colocação, antes ocupada pelos peemedebistas. Entre eles, aparece o estreante PSD, dono da segunda representação mais endinheirada no Congresso.
 O PMDB, agora de Mabel, é também o partido que reúne o maior número de parlamentares com mais de R$ 1 milhão. Dos 110 peemedebistas que passaram pelo Congresso nesta legislatura, 49 acumulam bens avaliados em mais de seis dígitos. Os representantes do partido concentram R$ 408 milhões. O mais rico deles é o mineiro Newton Cardoso, com fortuna declarada de R$ 77,9 milhões. Os valores se referem aos bens declarados pelos parlamentares à Justiça eleitoral no momento de registrar suas respectivas candidaturas.
O PSD, criado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, acumula R$ 367,2 milhões, distribuídos entre seus 58 deputados e senadores. Boa parte dessa fortuna, R$ 240 milhões, está nas mãos de um único deputado, o usineiro João Lyra (PSD-AL), dono da maior fortuna na atual legislatura. O Grupo João Lyra é formado por dez empresas dos ramos da agroindústria sucroalcooleira e de fertilizantes e adubos. Possui também concessionária de automóvel, empresa de táxi aéreo e um hospital. A mais valiosa de suas empresas é a Laginha Agroindustrial, avaliada em R$ 196 milhões. Ao todo, 34 parlamentares do PSD têm mais de R$ 1 milhão em bens móveis ou imóveis, conforme mostrou o Congresso em Foco.

Os 46 deputados e senadores do Partido da República que exerceram mandato na atual legislatura acumulam R$ 383,5 milhões em patrimônio. O PR abriga o segundo parlamentar mais rico, o senador Blairo Maggi (PR-MT). Um dos maiores produtores de soja do mundo, Blairo informou possuir uma fortuna avaliada em R$ 152 milhões, menos apenas que João Lyra. Dos 46 parlamentares do PR, 25 dizem ter mais de R$ 1 milhão.
Os oposicionistas do PSDB compõem o segundo maior grupo de “milionários”. Dos 74 tucanos que pousaram no Parlamento entre fevereiro e outubro, 38 declararam possuir mais de R$ 1 milhão em patrimônio. É a quarta bancada mais rica, com bens estimados em R$ 275,4 milhões. É do PSDB o terceiro parlamentar mais rico: o deputado paranaense e industrial Alfredo Kaefer.
 Quinta bancada mais endinheirada, o PP é a quarta em número de parlamentares com patrimônio superior a seis dígitos: 29 de seus 46 representantes nas duas Casas. O ex-prefeito paulistano Paulo Maluf (SP) é o mais rico deles. Maluf informou possuir R$ 39,5 milhões.
 Desidratado com a criação do PSD, o Democratas acumula R$ 131 milhões. De seus 36 nomes, 22 têm mais de R$ 1 milhão. Esse valor é alcançado por 14 dos 111 petistas, que constituem a sétima representação mais rica. No DEM, a maior fortuna está nas mãos do senador Jayme Campos (MT), dono de R$ 14,1 milhões. Entre os petistas, o destaque é a senadora Marta Suplicy (PT), com R$ 11,9 milhões em bens declarados.
 Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco com base nas declarações prestadas à Justiça eleitoral pelos 667 deputados e senadores que exerceram mandato na atual legislatura, entre titulares, suplentes e licenciados. A lista inclui ainda parlamentares que renunciaram ao mandato, como Marisa Serrano (PSDB-MS) e Ana Arraes (PSB-PE), e que faleceram, como Itamar Franco (PPS-MG) e Luciano Moreira (PMDB-MA). No caso dos senadores em meio de mandato, foram levados em conta os valores declarados por eles em 2006, no momento do registro da candidatura.

Veja a distribuição do patrimônio declarado pelos parlamentares à Justiça eleitoral, por partido:
 Partido
 Nº de parlamentares
 % de parlamentares
 Patrimônio declarado (R$)
 % do patrimônio total
 PMDB
 110
 16,5
 408,3 milhões
 21
 PSD
 58
 8,8
 367,2 milhões
 19
 PR
 45
 6,9
 312,4 milhões
 16,1
 PSDB
 74
 11
 275,4 milhões
 14,2
 PP
 46
 6,9
 159 milhões
 8,2
 DEM
 36
 5,4
 131 milhões
 6,8
 PT
 111
 16,7
 71,2 milhões
 3,7
 PTB
 28
 4,2
 68,3 milhões
 3,6
 PDT
 31
 4,6
 43,2 milhões
 2,2
 PSC
 18
 2,7
 33,3 milhões
 1,7
 PSB
 40
 6
 31 milhões
 1,6
 PPS
 12
 1,8
 10,2 milhões
 0,5
 PRB
 13
 2
 8,4 milhões
 0,4
 PV
 12
 1,8
 7,6 milhões
 0,4
 PMN
 2
 0,3
 5 milhões
 0,2
 PCdoB
 16
 2,4
 4,5 milhões
 0,2
 Psol
 5
 0,7
 1,3 milhão
 0,06
 PTdoB
 4
 0,6
 1,1 milhão
 0,06
 PRP
 2
 0,3
 1 milhão
 0,05
 PTC
 1
 0,1
 142 mil
 0,01
 PHS
 1
 0,1
 112 mil
 0,01
 PRTB
 1
 0,1
 0
 0
 PSL
 1
 0,1
 0
 0
 Total
 667
 100
 1,94 bilhão
100

*Fonte: Congresso em Foco, com base em informações prestadas pelos 667 parlamentares que exerceram mandato na atual legislatura até o dia 15 de outubro
 http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/manchetes-anteriores/o-mapa-da-riqueza-no-congresso/

Veja quanto cada parlamentar diz possuir em bens


Dez mais ricos concentram quase metade de todo o patrimônio declarado pelos 667 congressistas da atual legislatura. Confira quanto cada um informou possuir
Dono de patrimônio declarado de R$ 152 milhões, Blairo Maggi é o segundo mais rico do atual Congresso
Os dez parlamentares mais ricos concentram quase metade de todo o patrimônio declarado pelos 667 deputados e senadores que passaram pela Câmara e pelo Senado de fevereiro a outubro. O deputado João Lyra (PSD-AL) e o senador Blairo Maggi (PR-MT) são os mais ricos –os únicos com fortuna pessoal superior a R$ 100 milhões.


Representando 9,3% do contingente total dos congressistas, os 62 parlamentares mais ricos (todos com declarações de bens acima de R$ 5 milhões) detêm 69% do patrimônio declarado pelo conjunto de deputados e senadores. Ao todo, 263 congressistas têm mais de R$ 1 milhão em patrimônio declarado.
Na parte de baixo da “pirâmide social” do Congresso, outros 220 parlamentares informaram possuir bens que não passam dos R$ 500 mil. Há ainda mais 21 que declararam não possuir qualquer bem no próprio nome, nem mesmo um centavo depositado em conta bancária no momento em que registraram suas candidaturas.
A concentração de riqueza também alcança os partidos políticos. Embora ocupem um terço das cadeiras do parlamento, PMDB, PSD e PR acumulam mais da metade de todos os bens informados por todos os
Os dados fazem parte de levantamento feito pelo Congresso em Foco com base nas declarações prestadas à Justiça eleitoral pelos 667 deputados e senadores que exerceram mandato na atual legislatura, entre titulares, suplentes e licenciados. A lista inclui ainda parlamentares que renunciaram ao mandato, como Marisa Serrano (PSDB-MS) e Ana Arraes (PSB-PE), e que faleceram, como Itamar Franco (PPS-MG) e Luciano Moreira (PMDB-MA). No caso dos senadores em meio de mandato, foram levados em conta os valores declarados por eles em 2006, no momento do registro da candidatura.
Atualizada em: 16/11/2011 ás 8:08

YUI - Nobody Knows (English Version)

YUI - Love Is All (Cover)

Governo deu 'bônus' de R$ 300 milhões a parlamentares para aprovar Orçamento


Por CHRISTIANE SAMARCO / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 31/12/2011 3:05
Para aprovar o Orçamento de 2012 às 23h50 da antevéspera do Natal, o governo pôs na mesa de negociação mais de R$ 300 milhões, destinados a atender às demandas das bases eleitorais dos 82 deputados e senadores que compõem a Comissão Mista de Orçamento (CMO). Cada um dos titulares e suplentes da comissão custou individualmente ao governo o compromisso de liberação imediata de R$ 3 milhões em emendas parlamentares.
Mas o 'preço por cabeça' na operação política que brecou os reajustes salariais dos servidores públicos e o pretendido aumento real das aposentadorias acima do salário mínimo acabou ficando mais alto, por conta da oposição. Preocupado com as eleições municipais do ano que vem e com o baixo poder de fogo da bancada oposicionista diante da maioria governista, o DEM aproveitou a oportunidade e exigiu que a cota de R$ 3 milhões fosse estendida a cada um de seus 27 deputados, e não apenas aos seis que são da comissão.
'O que o nosso pessoal fez foi negociar a liberação de um limite mínimo de recursos ao partido, e o governo cumpriu o compromisso', conta o presidente nacional do DEM e senador José Agripino (RN). Apesar de a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ter saído de férias depois de comandar os acertos na Comissão de Orçamento, Agripino atesta que o governo está empenhando os R$ 3 milhões em emendas individuais da oposição e diz que isto não é favor nenhum. 'A base pediu muito mais.'
Na primeira quinzena de dezembro, a presidente Dilma já havia aberto o cofre e empenhado R$ 1,596 bilhão das emendas de deputados e senadores apresentadas ao Orçamento de 2011 para votar a Desvinculação de Receitas da União (DRU), mecanismo que garante ao governo a possibilidade de movimentar livremente 20% das verbas públicas. O bônus prometido e liberado aos integrantes da Comissão do Orçamento foram somados a essa liberação.
Impacto. Um integrante do primeiro escalão diz que o Planalto ainda não contabilizou o custo da aprovação do Orçamento do ano que vem, mas destaca que os acordos e promessas envolvem cifras elevadas, especialmente em se tratando dos aliados.
O corte de R$ 50 bilhões do Orçamento de 2011, promovido pela presidente Dilma Rousseff diante das ameaças da crise fiscal na Europa, gerou um passivo político com a base aliada. A escassez de recursos para bancar as emendas dos parlamentares acirrou os ânimos no Congresso e na Comissão do Orçamento.
Na reta final da votação da proposta orçamentária, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), por exemplo, 'levou no grito' a inclusão na peça orçamentária de R$ 53 milhões em obras de infraestrutura urbana da área metropolitana da capital cearense. O peemedebista confirma que brigou para levar dinheiro ao Ceará.
E isto, sem falar na cota individual de R$ 3 milhões que, segundo ele, estão sendo empenhados para obras de pavimentação, urbanização e saneamento no interior cearense, onde ele foi o deputado mais votado.
'Minha briga não foi paroquial. Briguei pelos interesses do Estado, que está muito mal em malha viária', diz o deputado. Forte se justifica, lembrando que, à última hora, o relator Arlindo Chinaglia (PT-SP) 'pôs mais R$ 170 milhões para o Rodoanel de São Paulo no Orçamento de 2012'.
Da mesma forma que o presidente do DEM, o deputado do PMDB também afirma que o governo foi 'muito correto' com ele, apressando liberações e empenhando recursos para bancar as obras no Ceará, em troca do voto para aprovar o Orçamento sem os aumentos que oneravam o Tesouro. Mas dezenas de deputados governistas ainda circularam em Brasília nesta semana entre o Natal e o Ano Novo, queixando-se do não cumprimento dos acordos e procurando ajuda federal para prefeitos aliados.
Invisível. Mapear os atendimentos feitos é tarefa quase impossível até para os líderes partidários que têm acesso ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e fazem o acompanhamento dos pleitos das bancadas. O mecanismo mais utilizado para apressar a liberação dos R$ 3 milhões de cada parlamentar, distribuindo-os entre prefeituras que ajudaram a elegê-lo, fica invisível aos olhos do Siafi. No geral, os ministros empenham o dinheiro diretamente nos convênios vigentes com as prefeituras.
 http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/governo-deu-b%C3%B4nus-de-rdollar-300-milh%C3%B5es-a-parlamentares-para-aprovar-or%C3%A7amento-23

Por 2012, prefeitos ignoram apelo da União e se rendem à farra fiscal


Por EDNA SIMÃO / BRASÍLIA, estadao.com.br, Atualizado: 31/12/2011 3:04
Os prefeitos brasileiros ignoraram os apelos da equipe econômica para economizar dinheiro e aceleraram os gastos para garantir mais um mandato ou fazer o sucessor na disputa eleitoral de 2012. Com isso, a União e os Estados pouparam de janeiro a novembro mais do que fizeram em todo o ano de 2010, não só para mostrar rigor fiscal por causa da crise internacional, mas para compensar o rombo deixado pelos municípios.
Para técnicos do Ministério da Fazenda, a pressão por aumento de gastos dos prefeitos continuará, o que poderá exigir já nos primeiros dias de 2012 um esforço adicional do governo federal - assim como ocorreu em 2011 - para o cumprimento da meta de superávit primário do setor público consolidado de R$ 139,8 bilhões.
Dados divulgados pelo Banco Central comprovam que a meta de superávit primário de 2011 será garantida pela economia do governo federal e dos Estados. De janeiro a novembro, a União economizou R$ 131,741 bilhões (sem considerar o déficit da Previdência Social e do Banco Central), o equivalente a 3,49% do Produto Interno Bruto (PIB). Os dados de dezembro só serão fechados agora em janeiro.
O valor foi 19,37% maior do que o apurado no mesmo período de 2010 e ultrapassou os R$ 122,1 bilhões acumulados durante todo o ano passado.
Nos Estados, a poupança é quase 50% maior do que a registrada até novembro de 2010. O superávit acumulado saltou de R$ 21,078 bilhões (0,61% do PIB) para R$ 30,978 bilhões (0,82% do PIB). Em todo o ano de 2010, o saldo positivo foi de R$ 16,961 bilhões.
Nos municípios, no entanto, a gastança impera. Os prefeitos fizeram um esforço fiscal de R$ 2,574 bilhões até novembro. Na comparação com o mesmo período de 2010, houve uma queda de 26% - o recurso para pagamento de juros da dívida foi de R$ 3,481 bilhões, o que representa 0,10% do PIB. Em 2010, os municípios contribuíram com R$ 3,674 bilhões para o superávit primário do setor público.
O presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), João Coser (PT) - que administra o município de Vitória (ES) - argumenta que os prefeitos costumam poupar nos dois primeiros anos de governo e 'os investimentos começam a maturar nos últimos dois anos de mandato, culminando na reta final de um governo'.
Segundo ele, a crise de 2008 fez com que os investimentos municipais despencassem 25% em 2009. No ano passado, houve uma recuperação e a perspectiva é de um avanço de, pelo menos, 20% em 2011. 'A tendência é que o prefeito gaste mais neste e no próximo ano para conseguir se reeleger ou fazer o sucessor. Isso se dá pela maturação dos investimentos.'
O presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski, afirma que os municípios assumem cada vez mais responsabilidades (como saúde e educação) do governo federal e isso se reflete no aumento das despesas.
Margem. A área técnica da Fazenda observa que a atenção com as contas dos municípios deve ser redobrada, pois os desajustes podem ter impactos diretos no provimento de serviços básicos. A avaliação é que o aumento das despesas deve-se mesmo ao chamado ciclo político dos gastos, mas, por enquanto, a situação está sob controle porque o endividamento dos prefeitos é considerado baixo. Do total da dívida líquida do setor público de R$ 1,5 trilhão, apenas R$ 68 bilhões são dos municípios, sendo que São Paulo responde por cerca de 80% dessa dívida.