sábado 25 2014

Ato de apoio a Aécio reúne milhares na Avenida Paulista

Eleições 2014

Evento organizado pelas redes contou também com a participação de políticos, como o senador eleito José Serra, que classificou marcha como 'histórica'

Bianca Bibiano
Manifestação de apoio ao candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, leva centenas de eleitores para a avenida paulista, neste sábado (25), em São Paulo
Manifestação de apoio ao candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves, leva centenas de eleitores para a avenida paulista, neste sábado (25), em São Paulo  (Adriano Lima/VEJA.com)
(Atualizado às 21h15)
Um ato de apoio ao candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, reuniu pelo menos 8.000 pessoas neste sábado na Avenida Paulista, em São Paulo, segundo informações da Polícia Militar. Já os organizadores do evento contabilizaram 12.000 pessoas. A caminhada começou às 15 horas no vão livre do Masp e seguiu pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio, até o Parque do Ibirapuera.
"É um momento histórico, do qual São Paulo vai se lembrar para sempre", afirmou ao site de VEJA o senador eleito José Serra, que participou da marcha. O tucano conquistou nestas eleições uma vaga no Congresso com mais de 11 milhões de votos.
Também participaram do evento Eduardo Jorge (PV), derrotado na corrida pelo Planalto, o vereador tucano Andrea Matarazzo e o deputado federal Walter Feldman (PSB), porta-voz da Rede, grupo político da ex-senadora Marina Silva. Em terceiro lugar na corrida presidencial, Marina declarou apoio a Aécio neste segundo turno.
Nas ruas, famílias com crianças, idosos e jovens acompanhavam o carro de som e empunhavam faixas de apoio ao candidato, além de diversos exemplares da revista VEJA desta semana, cuja reportagem de capa revela que o doleiro Alberto Youssef, um dos pivôs de um megaesquema de lavagem de dinheiro e pagamento de propinas a políticos e partidos desvendado pela Operação Lava Jato, afirmou em delação premiada à Polícia Federal que Dilma e Lula tinham conhecimento do assalto aos cofres da Petrobras.
O ato foi organizado pelas redes sociais e grupos de discussão do WhatsApp com o hashtag #vemprarua, a mesma usada pelos manifestantes que protestaram em 2013. “No entanto, ao contrário daqueles atos, queremos mudar o Brasil por vias institucionais, pelo voto”, afirmou ao site de VEJA o economista Humberto Laudares, um dos quatro organizadores do evento. “Queremos mudança partidária e esperamos que esse movimento seja aproveitado para incluir pessoas que têm interesse político no debate pelas reformas do país.”

Datafolha: Aécio sobe e empata tecnicamente com Dilma

Eleições 2014

Última pesquisa antes das urnas aponta que o candidato do PSDB ganhou um ponto e a presidente perdeu um ponto; resultado é imprevisível

Candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB)
EMPATE – Os candidatos à Presidência da República, Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB): empate técnico na véspera das urnas (Felipe Cotrim/VEJA.com)
Pesquisa Datafolha divulgada na tarde deste sábado aponta que o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, recuperou terreno na véspera das eleições e está tecnicamente empatado com a presidete-candidata Dilma Rousseff (PT), no limite da margem de erro de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. Segundo o levantamento, encomendado pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo, a petista lidera a corrida com 52% das intenções de votos válidos (excluídos brancos, nulos e os eleitores indecisos), e o tucano tem 48%.

Na sondagem anterior, feita pelo instituto, nos dias 22 e 23, Dilma marcava 53%, e Aécio tinha 47%.

Se considerados os 5% de eleitores que pretendem votar em branco ou nulo e outros 5% de indecisos, Dilma tem 47% das intenções de voto, e Aécio, 43%.

O instituto entrevistou 19.318 eleitores, em 400 municípios brasileiros, na sexta-feira e neste sábado. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral com o número BR-1210/2014.

A arrancada de Aécio

Eleições 2014

Depois de passar boa parte da campanha na terceira colocação, candidato tucano chega à eleição com boas chances de passar para o segundo turno

Laryssa Borges, de Belo Horizonte
O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), durante o último debate do segundo turno promovido pela Rede Globo no Projac, no Rio de Janeiro
Às 12h30 do dia 13 de agosto, o senador Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência da República, pousou em Natal (RN) para uma rodada de viagens pelo Nordeste, na época considerado o plano de voo ideal para subir nas pesquisas. Informações desencontradas sobre o paradeiro do adversário Eduardo Campos chegavam à cúpula da campanha do PSDB. Minutos depois, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, confirmou a notícia: Campos havia morrido em um acidente aéreo na cidade de Santos (SP). Aéco trancou-se em um quarto. “Podia ter sido eu”, disse o tucano aos assessores mais próximos. Afirmou que não tinha preparado a própria família para tragédias como a que abateu o ex-governador de Pernambuco. E telefonou para a filha Gabriela e para a mulher, Letícia. O filho Bernardo, prematuro, havia recebido alta na mesma semana e provocado uma rápida interrupção na maratona de viagens do tucano. A morte de Eduardo Campos mudaria completamente a campanha presidencial.
Nas últimas semanas de campanha, Aécio voltou a recorrer ao Nordeste. Entre uma cidade e outra da região metropolitana de Belo Horizonte, telefonou para correligionários e pediu que espalhassem em estados nordestinos que ele havia pedido novamente a bênção de Padre Cícero para vencer as eleições. Em seguida, já municiado com as recentes pesquisas que apontavam seu crescimento, disse ao site de VEJA que o curso daquela campanha presidencial tinha saído do controle pelo “imponderável” e que ele não havia errado em sua estratégia eleitoral. Comemorou o crescimento em colégios eleitorais estratégicos, como Minas Gerais e São Paulo e confidenciou: as pesquisas internas do PSDB apontavam empate técnico na véspera do primeiro turno. O ânimo dos primeiros dias de campanha havia voltado.
Políticos que acompanharam de perto a construção da candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República contam que o mineiro havia feito os primeiros gestos concretos em fevereiro do ano passado: afagou o senador paulista Aloysio Nunes Ferreira com a liderança do PSDB na Casa, e assegurou uma das vice-presidências do partido para o ex-governador Alberto Goldman. Às vésperas de ser confirmado como presidente nacional do PSDB, em maio do ano passado, terminava de construir as principais pontes com o grupo ligado ao ex-governador José Serra. Nas últimas duas eleições presidenciais, os próprios tucanos reconheceram que disputas internas desmobilizaram a sigla e ajudaram a minar as chances de derrotar o PT.
Bem avaliado como governador de Minas Gerais por dois mandatos e com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Aécio ganhou o aval do partido para ser o nome tucano a concorrer ao cargo mais alto da República. Mas, se a candidatura de Aécio foi costurada livre das recorrentes disputas internas em eleições passadas, um conjunto de fatores externos colocou em risco a passagem do PSDB para o segundo turno: a trágica morte de Eduardo Campos (PSB) em agosto levou a ex-senadora Marina Silva (PSB) ao páreo em um momento de forte comoção no país. Mais: o candidato tucano ao governo de Minas Gerais, Pimenta da Veiga, enfrenta uma campanha complicadíssima no segundo maior colégio eleitoral brasileiro, terra natal de Aécio.
No início do ano, quando ainda arrematava as linhas finais que utilizaria na campanha presidencial, Aécio tinha metas claras para abrir vantagem de pelo menos 3 milhões de votos em Minas Gerais, seu reduto político, e ser o protagonista da oposição ao PT. As intenções de votos em solo mineiro, entretanto, demoraram a aparecer. Depois de uma infrutífera imersão ao Nordeste, onde não era – e continua não sendo – conhecido pelo eleitorado, Aécio decidiu apostar as fichas no seu estado. A cada pesquisa em setembro, o tucano encampava uma subida lenta, porém contínua. Com isso, chegou a 26% na véspera da eleição, ultrapassando Marina pela primeira vez. E os votos de Minas Gerais devem levá-lo ao segundo turno.
Aos primeiros indícios de que havia voltado a ser competitivo, com chances de ultrapassar Marina Silva e disputar o segundo turno com a petista Dilma Rousseff, Aécio se dedicou a uma espécie de imersão mineira. Visitou as principais cidades do estado e lugares onde tradicionalmente não costuma ir, como a favela Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte. Enquanto caminhava de favela em favela a dois dias das eleições, recebeu o novo tracking (pesquisas internas): havia ultrapassado Marina Silva e estava na segunda colocação, embora ainda na margem de erro. No último dia de campanha, tentou os últimos votos novamente em comunidades mais carentes e, ao avistar simpatizantes petistas durante o trajeto de uma de suas carreatas, se recusou a mudar de rota. Seguiu adiante.
Ainda que nos últimos dias o clima na campanha do tucano tenha sido de euforia com a possibilidade concreta de chegar ao segundo turno – se o quadro não fosse revertido, ele seria o primeiro tucano a não disputar o turno em 20 anos –, os quatro meses de disputa eleitoral foram de altos e baixos, conforme descrição dos próprios correligionários. Publicamente, Aécio sempre disse que chegaria ao segundo turno, mas teve de administrar contratempos como o desânimo de aliados – alguns evitaram aparecer ao lado do candidato para não comprometer suas candidaturas nos estados –, queda na arrecadação de recursos após cair para a terceira colocação e a notícia de que construiu um aeroporto, quando era governador, na terras de familiares – ele afirma que a área é pública.
Nos últimos dias de campanha, já com indicações de levantamentos internos de que chegaria empatado com Marina Silva às vésperas das urnas, retirou o peso das críticas a Marina Silva. A estratégia, apoiada por caciques como Fernando Henrique Cardoso, é interpretada como um sinal claro de abertura de uma possível aliança no segundo turno.

DEBATE PRESIDENCIAL DA GLOBO 24/10/2014 COMPLETO HD - AÉCIO JÁ PODE SE CONSIDERAR PRESIDENTE!





O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), antes do debate no segundo turno promovido pela Rede Globo no Projac, no Rio de Janeiro

Melhor que a novela: os bastidores do debate na TV Globo

Maquiavel

Com Dilma e Aécio frente a frente pela última vez, aliados dos candidatos trocaram farpas e capricharam no figurino. A seguir, o debate que você não viu

O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB), antes do debate no segundo turno promovido pela Rede Globo no Projac, no Rio de Janeiro

Melhores amigos - Nos bastidores do último debate da TV Globo, nenhum aliado do PSDB mostrou-se mais à vontade que o PSB. Dividiram espaço na plateia com os tucanos o conselheiro Walter Feldman, Paulo Câmara, governador eleito de Pernambuco, e Beto Albuquerque, candidato a vice da ex-senadora Marina Silva. Albuquerque vibrou cada vez que Aécio Neves deixou a presidente-candidata Dilma Rousseff desconsertada. Ao final, tiraram fotos e fizeram selfies. De bom-humor, Aécio disse que, se tudo der errado, "se mudará para Porto de Galinhas", em Pernambuco, Estado reduto do PSB.
Divórcio - Albuquerque disse ao site de VEJA que não fala com Roberto Amaral, destronado da presidência do partido, desde que o pessebista-lulista rompeu a aliança feita entre seu partido e o PSDB. "Se ele tiver o mínimo de senso, muda de partido", afirmou.
Tão longe, tão perto - A candidata derrotada à Presidência Marina Silva não compareceu ao debate porque viajou para o Acre nesta sexta-feira para votar no domingo. Ao final do evento, Aécio perguntou a Beto Albuquerque (PSB) como estava a aliada. "Ela está bem?". O deputado gaúcho assentiu e disse que o partido organizou a ida de Marina mais cedo a Rio Branco para que ela pudesse acompanhar o debate pela TV.  
Conciliadores - Os dois únicos petistas que cruzaram a fronteira para cumprimentar tucanos foram o governador da Bahia, Jaques Wagner, e o ministro José Eduardo Cardozo. 
Embarque – O ex-prefeito paulistano Gilberto Kassab, do PSD, também integrou a comitiva petista.

Guerrilheira - Jaques Wagner, que tem comparecido assiduamente aos debates presidenciais, desta vez inovou no visual. Debaixo do paletó, vestia uma camiseta vermelha com o rosto de Dilma estampado. O retrato da presidente é de quando ela foi presa durante a ditadura.

Papo de banheiro - Em rápida escapada, o senador eleito José Serra (PSDB) encontrou Jaques Wagner no banheiro, durante o intervalo do segundo bloco do debate. Conversaram por alguns instantes.

Tempo! – A benevolência do mediador do debate, William Bonner, com os dois candidatos quando extrapolaram o tempo de respostas foi constante alvo de críticas da plateia. O senador eleito pelo PSDB no Ceará, Tasso Jereissati, repetiu três vezes: "Já acabou, já acabou, já acabou", quando Dilma estourou seu tempo. Em outra resposta, quando Aécio esgotou o cronômetro, os petistas começaram a falar alto para silenciar o tucano.
Melhor que novela - Diretores da TV Globo celebraram ao final do debate a audiência, cujo pico foi de 31 pontos – recorde entre todos os debates feitos este ano e mais do que a novela Império.

Na conta do PT - Quando deixava o estúdio da Rede Globo, Aécio Neves se deparou com uma foto da Avenida Faria Lima, em São Paulo, repleta de manifestantes pró-PSDB. Beto Albuquerque, animado, disse: "Está vendo o que você está fazendo em São Paulo?". Aécio seguiu o tom bem-humorado: "Eu não. É ela!", disse, referindo-se à adversária petista.
Torcida - “Foi o melhor debate do Aécio”, avaliou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Ele foi bem mais objetivo”, acrescentou Serra. “Tentar tirar proveito político de uma seca que atingiu duramente parte da Região Sudeste foi injusto e desrespeitoso”, criticou.

Retranca - O coordenador da campanha de Dilma no Rio de Janeiro, o vice-prefeito da capital, Adilson Pires (PT), torceu por um debate “nada ofensivo”. Segundo ele, terminar no empate seria bom.
Tática – Um dos alvos preferenciais de Dilma, o economista Armínio Fraga, pré-nomeado ministro da Fazenda se Aécio for eleito, afirmou que a tática petista é meramente “tirar do foco o fracasso da política econômica”'. Disse: “A tática deles é desviar a atenção da inflação alta e do investimento baixo”.

Teflon - O vice-presidente da República, Michel Temer, avalia que o escândalo de corrupção da Petrobras não interfere na decisão do eleitor na hora do voto. "Não acho que a questão da Petrobras tenha influência eleitoral, embora ninguém negue que tenha de ser apurado", afirmou.

Telhado de vidro – Enrolado com sucessivas denúncias de corrupção, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT) sentou-se na segunda fileira de convidados de Dilma. Sobre uma possível volta ao governo, prognosticou: "Se eu voltar vocês me matam", disse a jornalistas.(Ana Clara Costa, Talita Fernandes e Daniel Haidar)