sexta-feira 22 2013

Três xícaras de café ao dia reduzem em 10% mortalidade entre adultos, diz estudo

Expectativa de vida

Pesquisa feita com mais de 400.000 indivíduos mostrou que bebida diminui mortalidade por problemas como doença cardiovascular, diabetes e infecção

Café
Três xícaras da café ao dia pode prolongar vida (John Foxx/Thinkstock)
Adultos com mais de 50 anos que bebem pelo menos três xícaras de café por dia podem reduzir o risco de morrer em 10% em relação àqueles que não consomem a bebida, revelou um estudo do Instituto Nacional do Câncer (NCI), dos Estados Unidos. A pesquisa foi feita com mais de 400.000 pessoas e os resultados foram publicados nesta quinta-feira na revista médica New England Journal of Medicine (NEJM).
CONHEÇA A PESQUISA

Título original: Association of Coffee Drinking with Total and Cause-Specific Mortality

Onde foi divulgada: revista New England Journal of Medicine

Quem fez: Neal D. Freedman, Yikyung Park, Christian C. Abnet, Albert Hollenbeck e Rashmi Sinha

Instituição: Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos

Dados de amostragem: 229,119 homens e 173,141 mulheres de 50 a 71 anos

Resultado: Beber três xícaras de café



ao dia reduz em até 10% risco de morte entre pessoas de 50 a 71 anos em um período de 12 anos. O consumo em excesso da bebida, porém, pode aumentar risco de câncer entre homens.
O trabalho foi feito com base em um questionário aplicado em cerca de 230.000 homens e mais de 170.000 mulheres, que tinham de 50 a 71 anos entre 1995 e 1996, quando o estudo começou. Os participantes foram acompanhados até 31 de dezembro de 2008.
Os resultados demonstraram que as pessoas que consumiram, em média, três xícaras de café por dia, normal ou descafeinado, tiveram menos risco de morrer de doenças cardiovasculares e respiratórias, acidente vascular cerebral (AVC), ferimentos, acidentes, diabetes e infecção do que as pessoas que não ingeriram a bebida. Os cientistas, contudo, notaram um aumento muito sutil no risco de câncer entre os homens que consumiram muito café. Entre as mulheres, ao contrário, não foi constatado um vínculo direto entre o fato de beber café e mortes por câncer.
Essas conclusões foram obtidas após os autores da pesquisa terem levado em conta também outros fatores de mortalidade, como o tabagismo e o consumo excessivo de álcool.
No entanto, os pesquisadores alertaram para o fato de que não podem afirmar com certeza, em termos científicos, que o consumo do café prolongaria a vida.
"Nós descobrimos que o consumo de café estava ligado a um risco menor de mortalidade em geral, mas o mecanismo pelo qual o café reduziria a mortalidade não está claro porque esta bebida contém mais de mil substâncias diferentes que podem, potencialmente, afetar a saúde",diz Neal Freedman, da divisão de epidemiologia de câncer e genética do Instituto Nacional do Câncer dos EUA e principal autor da pesquisa.
Mesmo assim, o autor afirma que os resultados dão certa garantia ao fato de que a bebida não faz mal à saúde.
(Com agência France-Presse)

Café ajuda a melhorar fluxo do sangue pelo corpo

Coração

Estudo japonês ajuda a explicar o motivo pelo qual a bebida vem sendo associada a diversos benefícios ao coração

Prevenção natural: café e chá quente reduzem as chances de se carregar a bactéria MRSA no nariz
Tratamento natural: café pode ser aliado no combate às doenças cardiovasculares (Thinkstock)
Uma série de estudos já sugeriu que o café é benéfico à saúde do coração - e uma nova pesquisa, feita no Japão, ajuda a entnder de que forma isso acontece. De acordo com o estudo, a bebida tem efeito positivo nos vasos sanguíneos, melhorando o fluxo do sangue pelo corpo e reduzindo o risco de inflamações. Consequentemente, contribui com o combate a problemas como ataque cardíaco e derrame cerebral. O benefício, no entanto, não vale para cafés descafeinados.
A conclusão foi apresentada nesta semana durante o encontro anual da Associação Americana do Coração, em Dallas, Estados Unidos. Elas se basearam nos dados de 27 pessoas de 22 a 30 anos que não costumavam tomar café com muita frequência. 
No estudo, os participantes beberam uma xícara de café com ou sem cafeína. Em seguida, os autores avaliaram o fluxo sanguíneo dos participantes medindo a circulação do sangue em um dos dedos da mão dos voluntários. Alguns dias depois, os pesquisadores repetiram o teste, mas usando outros tipos de café. A circulação do sangue nos dedos é medida para que se avalie a qualidade do fluxo sanguíneo de todo o corpo, especialmente dos vasos menores. 
A pesquisa mostrou que os participantes que haviam tomado café com cafeína, durante 75 minutos após consumirem a bebida, apresentaram um fluxo sanguíneo 30% melhor do que as pessoas que beberam café descafeinado.
O coordenador do estudo, Masato Tsutsui, da Universidade de Ryukyus em Okinawa, Japão, explica que ainda não está completamente claro de que forma o café interfere nos vasos sanguíneos. Ele acredita que, ao saberem disso, os pesquisadores poderão elaborar novas estratégias para o tratamento de doenças cardiovasculares no futuro.

Ah, tá! Então o cardiologista das palavras, dr. Reinaldo Azevedo, estava certo. Melhor para Genoino do que pra mim!

Veio a público o boletim médico sobre a crise, ou que nome tenha, que teve ontem Sua Excelência o deputado federal José Genoino (PT-SP). Não! Ele não teve infarto. “Princípio de infarto”, então, como alardeou seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, nem pensar. O que foi que escrevi ontem aqui, às 15h16? Lembro e retorno em seguida.
Genoino - título
Voltei
Vamos ver a nota tornada pública pelos médicos. Volto depois.
Brasília, 22 de Novembro de 2013.
O Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF), informa que o paciente José Genoino Neto, com histórico clínico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), submetido à cirurgia de correção de dissecção da aorta, em julho de 2013 e acidente vascular cerebral (AVC), em agosto de 2013, foi admitido na emergência da instituição na tarde de ontem (21/11).
Após realização dos exames laboratoriais e de imagem, foi descartado infarto agudo do miocárdio e diagnosticado elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial), que podem comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta, e alteração de coagulação secundária ao uso de anticoagulante, que aumenta o risco de sangramentos.
O paciente foi reavaliado, pela manhã, encontra-se estável e deverá permanecer internado até o controle adequado da pressão arterial e dos parâmetros da coagulação.
Dra. Núbia Welerson Vieira | Diretora Médica | CRM DF 13127
Dr. João Gabbardo dos Reis | Superintendente | CRM RS 11144
Retomo
Eu não sou médico — e isso quer dizer que não sou uma porção de outras coisas derivadas da condição essencial que não me assiste: cardiologista, por exemplo… Mas gosto da cardiologia das palavras, sabem como é? Da sua pulsação. Palavras podem ser inermes, guardadas no dicionário. Quando postas em trânsito, têm sístole, têm diástole…
O que dirá agora o Pachecão? Só estava dando um beiço na imprensa, é isso? Só estava criando comoção? Sim, o estado de Genoino não é dos melhores, mas a verdade, nesse caso como no resto, deveria bastar. Ocorre que ele é o lado vitimista da farsa petista. José Dirceu entra com o realismo cínico; o deputado adoentado, com o surrealismo dramático. Enquanto isso, Lula, sem pestanejar, tenta transformar as prisões num ativo eleitoral.
É bom a imprensa tomar cuidado nestes dias. Palavras fazem sentido. Quando tratam de questões técnicas, esse sentido é ainda mais restrito; admitem menos larguezas.
Não foi infarto? Dadas as condições, melhor para Genoino do que pra mim. O que levei de porrada ontem quando cravei aqui que “princípio de infarto não existe” foi uma coisa fabulosa! Notem: eu nem estava negando que fosse infarto; só destacava que não existe o tal “princípio de”. Mas sabem como é… Se a gente não é lacrimoso também, segundo o decoro definido para esse caso patético, passa por cruel. Que Genoino fique bem o mais cedo possível. Além de isso deixar contentes seus familiares e amigos, diminuiria o IBN — o Índice de Burrice Nacional.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/ah-ta-entao-o-cardiologista-das-palavras-dr-reinaldo-azevedo-estava-certo-melhor-para-genoino-do-que-pra-mim/

Boletim médico diz que Genoino teve crise de pressão alta e não infarto

Mensalão

Petista teve de deixar às pressas o presídio da Papuda nesta quinta após passar mal; ele será avaliado por uma junta médica a pedido do STF

José Genoino se entrega na sede da Polícia Federal, em São Paulo
Genoino deve permanecer internado, segundo hospital (Ivan Pacheco)
O boletim médico do Instituto de Cardiologia do Distrito Federal (ICDF) divulgado nesta sexta-feira informa que o ex-presidente do PT José Genoino teve uma crise de pressão alta ontem. A informação contraria a versão do advogado, Luiz Fernando Pacheco, segundo quem o mensaleiro poderia ter sofrido um infarto. Após passar mal, Genoino foi levado às pressas do Complexo Penitenciário da Papuda, onde cumpre pena, para o hospital.
“Após realização dos exames (...), foi descartado o infarto agudo do miocárdio e diagnosticado elevação dos níveis pressóricos (pressão arterial)”, informou o hospital. Segundo o boletim médico, o quadro de Genoino é estável, mas ele deve permanecer internado até atingir “o controle adequado da pressão arterial e dos parâmetros da coagulação”. O hospital diz que o aumento da pressão arterial pode comprometer o resultado da cirurgia de correção de dissecção da aorta, realizada em julho deste ano, quando Genoino ficou internado durante 27 dias, em São Paulo.
Nesta quinta-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Joaquim Barbosa, determinou a realização de uma perícia médica para avaliar o estado de saúde do mensaleiro. Na decisão, o ministro solicitou que Genoino fosse analisado por três cardiologistas para saber se ele deveria ser internado em uma unidade hospitalar ou ficar em sua casa. Até que a junta médica se pronuncie, o petista pode cumprir pena no hospital ou em sua casa.


Logo após ser preso, sua defesa encaminhou um pedido de prisão domiciliar, afirmando que o estado de saúde do petista é grave. Laudo do Instituto Médico Legal confirmou a informação e disse que ele precisa de alimentação especial e medicamento próprio.

Mensaleiros seguem com regalias em presídio no DF

Justiça

Apesar da recomendação do Ministério Público do DF, petistas encarcerados na Papuda continuam a receber visitas de parlamentares livremente. Familiares de outros presos reclamam dos benefícios

Marcela Mattos, de Brasília
Apesar da recomendação do Ministério Público feita à diretoria do Sistema Penitenciário do Distrito Federal para que seja seguido o princípio da isonomia no tratamento de detentos, os petistas encarcerados no Complexo Penintenciário da Papuda, em Brasília, continuaram a receber livremente a visita de parlamentares e familiares.
Nesta sexta-feira, um dia vetado a visitações na Papuda, o deputado Zezéu Ribeiro (PT-BA) esteve no local no início da tarde para encontrar José Dirceu, Delúbio Soares, Romeu Queiroz e Jacinto Lamas. Mais cedo, o ex-deputado Carlos Abicalil também visitou alguns dos presos do processo do mensalão. Pelo entendimento do juiz da Vara de Execuções Penais, parlamentares têm livre acesso ao complexo penitenciário.
Ao cobrar o fim das regalias aos petistas, o Ministério Público anexou reportagens sobre o entra e sai de visitantes na Papuda. A entrada indiscriminada na penitenciária tem causado desconforto em familiares de presos comuns, que têm de esperar em uma fila durante horas para conseguirem acesso ao interior da penitenciária. Os petistas desrespeitam a ordem de chegada e não precisam ficar sob o sol para ter a entrada liberada.

A Promotoria argumenta que o horário de visitação do presídio é restrito às quartas e quintas-feiras, das 9h às 15h, além de destacar que os visitantes devem passar por revista, estar com roupa apropriada e deixar aparelhos eletrônicos na entrada. O acesso irrestrito aos parlamentares, fora dos horários estabelecidos, é um entendimento do juiz da Vara de Execuções Penais, que pode ser suspenso a qualquer momento.
Dirceu e Delúbio desistiram de pedir transferência para uma unidade em São Paulo e permanecerão em Brasília, onde o sistema prisional é administrado pelo governador do Distrito Federal e colega de partido, Agnelo Queiroz. O governador, aliás, fez questão de visitar os detentos petistas ontem ao lado de 26 deputados.
As reclamações dos demais visitantes e a recomendação do Ministério Público foram mais uma vez ignoradas nesta sexta. Ao site de VEJA, o coordenador-geral da Subsecretaria do Sistema Penitenciário (Sesipe) no DF, João Feitosa, afirmou que sequer sabia das visitas e alegou que a entrada às sextas-feiras não é proibida: “Na sexta-feira há exceções por motivos particulares. São casos excepcionais, como um familiar cadeirante ou que precise levar alguma medicação”, explicou. Esses, porém, não são os casos aplicados aos detentos do mensalão.
Para o coordenador, não há privilégios aos mensaleiros: “Isso não acontece. Os outros presos, inclusive, não estão reclamando. O sistema está calmo e as visitas têm ocorrido com normalidade”.
O coordenador da Sesipe ainda apontou benefícios na maior rotatividade com a presença dos mensaleiros: “Os presos têm consciência de que com a visita de representantes do poder público há uma tendência de haver melhorias. Eles [os condenados no mensalão] podem trazer mais atenção ao sistema prisional”. 

Chico Buarque - Vai Passar (2005 )



Outro ex-secretário de SP vai depor sobre fraude do ISS

São Paulo

Walter Aluísio, da gestão Gilberto Kassab, foi citado por testemunha como um dos frequentadores do escritório da quadrilha

Roberto Victor Anelli Bodini, promotor de justiça do GEDC, e Cesar Dario Mariano da Silva , promotor de justiça de patrimônio social,  durante entrevista coletiva a respeito do caso da corrupção dos fiscais da prefeitura de São Paulo, realizada na sede da Promotoria Pública de São Paulo - (14/11/2013)

O ex-secretário de Finanças da prefeitura de São Paulo Walter Aluísio, da gestão Gilberto Kassab (PSD), será chamado para prestar depoimento na Controladoria Geral do Município (CGM). A prefeitura já havia anunciado que chamaria outro ex-titular da pasta de Finanças, Mauro Ricardo.
Aluísio é citado em depoimento de testemunha protegida do Ministério Público do Estado (MPE). Segundo as declarações, ele frequentava o escritório usado pela quadrilha e tinha negócios com Ronilson Rodrigues, apontado como líder do grupo.
"Imagina que você é um secretário, um ex-secretário adjunto, você tem todo interesse em colaborar com as sindicâncias. Em geral, os convites nesse sentido são bem aceitos", disse o prefeito Fernando Haddad (PT). "Todos se dispõem a colaborar porque, em princípio, não devem nada", completou.
Também devem ser chamados pela CGM o ex-secretário adjunto de Aluísio, Silvio Dias, e o ex-secretário da Pessoa com Deficiência, Antonino Grasso, exonerados de cargos de confiança na atual gestão.
(Com Estadão Conteúdo)

Kevin Spacey deu a Woody Allen assinatura do Netflix

Cinema

Ator da série 'House of Cards', exclusiva do site de streaming, enviou uma carta ao diretor na tentativa de conseguir trabalhar com ele

Ator Kevin Spacey em cena da série 'House of Cards'
Ator Kevin Spacey em cena da série 'House of Cards' (Divulgação)
O ator Kevin Spacey, protagonista da série do Netflix House of Cards, contou em entrevista à edição de dezembro da revista americana GQ que deu a Woody Allen uma assinatura do site de streaming. Sua intenção era conseguir um futuro trabalho com o renomado diretor.
"Eu escrevi uma carta para ele e me apresentei como um ator que ele poderia ou não já conhecer. E dei também uma assinatura do Netflix, pois eu quero que ele assista meu trabalho", disse Spacey. 
Em uma carta de resposta, Allen afirmou ter gostado da iniciativa e abriu uma brecha ao dizer que tem “planos para coisas no futuro”. Por fim, agradeceu a assinatura. “Talvez eu escreva para Martin Scorsese na próxima vez”, brincou o ator. 
Vencedor de dois Oscar ao longo da carreira, pelos filmes Os Suspeitos (1995) e Beleza Americana (1999), Spacey afirmou não se envergonhar de ainda fazer testes para conseguir papéis. "Eu acredito nisso: se um ator quer um papel ou trabalhar com alguém, então ele deve fazer de tudo para conseguir o trabalho. Se pedirem por um teste, faça o teste. Se pedirem que você sapateie, sapateie", disse. 

Tombini e Mantega: unidos contra o rombo

Rombo bilionário

Tombini e Mantega: unidos contra o rombo
Tombini e Mantega: unidos contra o rombo
Num esforço para evitar que o STF julgue, na semana que vem, contra os bancos na ação em que poupadores contestam a correção monetária de suas aplicações após a implantação dos Panos Bresser, Verão e Collor, Guido MantegaAlexandre Tombini e Luiz Inácio Adams pediram audiência a Joaquim Barbosa hoje, às 15h.
De acordo com o que o governo apurou, o voto de Joaquim pode ser o de desempate nesta disputa bilionária.
A bomba sobre os bancos, se o STF julgar favoravelmente aos poupadores, será de 150 bilhões de reais, mais da metade disso cairá na conta da CEF e Banco do Brasil.O governo teme quebra de bancos e rombo no Tesouro, que seria obrigado a bancar o rombo da CEF.
Por Lauro Jardim
http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/judiciario/rombo-bilionario-mantega-e-tombini-apelam-a-joaquim-barbosa/

Odebrecht arremata Galeão por R$ 19 bilhões — com ágio de 294%

Aviação

Aeroporto fluminense foi alvo de intensa concorrência entre os consórcios, enquanto Confins foi arrematado por 1,82 bilhão de reais, ágio de apenas 66%

Naiara Infante Bertão
Aeroporto Tom Jobim (Galeão)
Galeão: lance de 19 bilhões dado pelo consórcio liderado pela Odebrecht (Ale Silva/Futura Press )
O consórcio Aeroportos do Futuro, liderado pela Odebrecht Transport e pela operadora Changi, de Cingapura, deu o maior lance pelo aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), no Rio de Janeiro, durante o leilão de concessão de aeroportos que ocorreu nesta manhã de sexta-feira na BM&FBovespa, em São Paulo. A oferta, de 19,018 bilhões de reais, representa um ágio de 294% para o governo, que havia estabelecido um lance mínimo de 4,282 bilhões de reais para o aeroporto fluminense. A oferta também foi amplamente superior à feita pelo segundo colocado, o consórcio Sócrates, liderado pela Carioca Engenharia, que deu lance de 14,5 bilhões de reais pelo empreendimento, com ágio de 200%.
O lance da Odebrecht por Galeão foi divulgado logo após a abertura dos envelopes, por volta das 10h (horário de Brasília). Depois que todas as propostas foram apresentadas, os autores das três melhores ofertas por cada aeroporto passaram para a etapa de viva voz, em que novos lances poderiam ser efetuados para, eventualmente, cobrir a maior proposta. Contudo, nenhum grupo conseguiu superar os 19 bilhões ofertados pela Odebrecht e o certame terminou sem novos lances. O grupo de engenharia detém 60% do consórcio vencedor e a Changi, 40%.
No caso do aeroporto internacional Tancredo Neves (Confins, em Belo Horizonte), a concorrência foi menor. Logo na abertura dos envelopes, o maior lance foi o do consórcio Aerobrasil, liderado pela concessionária CCR (do grupo Camargo Correa), com 75% de participação, e pelas operadoras Flughafen Munchen, em Munique, e a Flughafen Zürich AG, do aeroporto de Zurique, na Suíça, donas de 1% e 24% do grupo, respectivamente. O consórcio ofereceu, inicialmente, ágio de 27,7%, com uma oferta de 1,4 bilhão de reais. O lance mínimo determinado pelo governo era de 1,096 bilhão de reais. Na etapa de viva voz, o consórcio Aliança Atlântica, liderado pela construtora Queiroz Galvão, entrou na disputa e chegou a ofertar 1,8 bilhão de reais por Confins, mas o lance foi superado pelo Aerobrasil, da CCR, que encerrou o certame com o oferta de 1,82 bilhão de reais — ágio de 66%. A soma das duas concessões renderá 20,838 bilhões ao governo — muito além dos valores que muitos ministros estimavam para o certame, entre 11,4 e 15 bilhões de reais. 
Estima-se que serão necessários investimentos de 5,7 bilhões de reais no aeroporto fluminense e 3,5 bilhões no mineiro. Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Galeão e Confins representam, juntos, a movimentação de 14% dos passageiros e 10% da carga no país. A Infraero é sócia compulsória de todos os consórcios com participação de 49% no capital. Isso significa que a estatal deverá investir o valor correspondente a este mesmo porcentual nos aeroportos concedidos.
Esta é a segunda rodada de leilões de aeroportos no Brasil. Em fevereiro de 2012, foram licitados os terminais de Guarulhos (SP), Viracopos (SP) e Brasília (DF), quando o governo arrecadou 24,5 bilhões de reais com as concessões. Os vencedores foram habilitados, à pedido do Tribunal de Contas da União (TCU), para disputar Galeão e Confins, mas sua fatia não poderia ultrapassar 14,99% do consórcio e sem participação no controle. Entre as empresas que comandaram os consórcios vencedores das concessões passadas estão Invepar (Guarulhos), Triunfo Participações (Viracopos) e Engevix (Brasília).
Guarulhos fica para trás — O valor apresentado pela Odebrecht superou, inclusive, o lance dado pelo aeroporto de Guarulhos pelo consórcio Invepar - ACSA, arrematado em fevereiro do ano passado por 16,213 bilhões de reais. À época, o lance da Invepar, que tem entre seus principais acionistas os fundos de pensão Petros, Funcef e Previ, também não foi coberto por nenhum outro consórcio durante a etapa de viva voz. Seu ágio em relação ao valor mínimo estabelecido pelo governo foi ainda maior que o de Galeão: 373,5%. Após o fim do leilão, os concorrentes que perderam argumentaram que o valor ofertado por Guarulhos era muito superior ao seu potencial de retorno. Especialistas afirmavam, à época, que a soma dos investimentos e do valor de outorga (em torno de 22,5 bilhões de reais) seria superior ao potencial de retorno do empreendimento, de cerca de 17 bilhões de reais.
A diferença entre os dois aeroportos é que o período de concessão de Guarulhos é de 20 anos (podendo ser prorrogados), enquanto o aeroporto fluminense poderá ser operado pela Odebrecht por 25 anos.
Novas regras - Uma das novas regras do edital é a exigência de experiência na operação de aeroportos com movimento superior a 22 milhões de passageiros por ano para Galeão e de 12 milhões para Confins. A regra foi estabelecida porque, no ano passado, a presidente Dilma ficou insatisfeita, para dizer o mínimo, com o fato de as grandes operadoras aeroportuárias terem ficado de fora dos consórcios vencedores. Viracopos, visto pela presidente como o de maior potencial do país, será operado pela pequena empresa francesa Égis, cujo maior aeroporto sob gestão é o de Chipre, na Europa.
Concorrentes - Os envelopes contendo as propostas foram entregues à Anac no dia 18 deste mês. Na quinta-feira, a agência informou que nenhuma empresa havia sido desclassificada.  
Os concorrentes deste certame são grupos que frequentemente estão envolvidos em concessões do governo. Além de CCR e Odebrecht, estavam os consórcios liderados pela Queiroz Galvão (associada à espanhola Ferrovial, operadora de Heathrow, em Londres), a Carioca Engenharia ( com as operadoras Aéroports de Paris e a holandesa Schiphol), e a Ecorodovias (associada à Invepar e à alemã Fraport), repetindo a mesma parceria formada para o leilão de Guarulhos.
Migre:

Governo arrecada R$ 20,8 bilhões com leilão de Galeão e Confins

Por Wladimir D'Andrade, Luciana Collet e Fernanda Guimarães - Agência Estado, estadao.com.br
Com oito propostas e cinco consórcios, Galeão é arrematado por consórcio liderado por Odebrecht; consórcio liderado por CCR arremata Confins




SÃO PAULO - Oito propostas e cinco consórcios disputaram o leilão dos aeroportos de Galeão (RJ) e Confins (MG), realizado na manhã desta sexta-feira, 22, na sede da BM&FBovespa, São Paulo.
Os vencedores foram os consórcios que ofereceram os maiores lances para cada aeroporto. Na etapa viva voz, o lance mínimo, acima da maior oferta, era de R$ 500 milhões para Galeão e de R$ 100 milhões para Confins. De acordo com as regras, um consórcio não pode vencer o leilão em dois aeroportos.
Por Galeão, o consórcio Aeroportos do Futuro, liderado por Odebrecht, foi o vencedor, com proposta de R$ 19,018 bilhões pelo aeroporto (ágio de 293%).
Já para Confins, o consórcio AeroBrasil, liderado por CCR foi o vencedor, com proposta de R$ 1,820 bilhões, após disputa de lances.
Ofertas iniciais por Galeão:
Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort, com 60%, e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi, com 40%, ofereceu R$ 19,018 bilhões, ágio de 293%.
Consórcio Sócrates, formado pela Carioca Engenharia, GP Investimentos e as operadoras dos aeroportos de Paris (Aéroports de Paris - ADP) e de Amsterdã (Schiphol), ofereceu R$ 14,5 bilhões, ágio de 200,3%.
Consórcio Novo Aeroporto Galeão, formado pelas empresas EcoRodovias e Fraport, cada uma com 42,5%, e por Invepar, com 14,99%, ofereceu R$ 13,113 bilhões, ágio 171,6%.
Consórcio AeroBrasil, formado por CCR e a operadora suíça Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, ofereceu R$ 10,350 bilhões, ágio de 114,4%.
Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 6,567 bilhões, ágio de 36%.
Ofertas iniciais por Confins:
Consórcio AeroBrasil, formado por CCR e a operadora suíça Flughafen Zurich AG, que administra o aeroporto de Zurique, ofereceu R$ 1,4 bilhões, ágio de 27,7%.
Consórcio Aeroportos do Futuro, formado por Odebrecht e TransPort com 60% e a operadora do aeroporto de Cingapura Changi com 40%, ofereceu R$ 1,335 bilhões, ágio de 21,8%.
Consórcio Aliança Atlântica Aeroportos, formado por Queiroz Galvão e Ferrovial, ofereceu R$ 1,096 bilhões, sem ágio.
Entenda o leilão
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), os aeroportos de Galeão e Confins respondem, juntos, pela movimentação de 14% dos passageiros, 10% da carga e 12% das aeronaves do tráfego aéreo brasileiro. O lance mínimo para o terminal fluminense foi de R$ 4,828 bilhões, com concessão válida por 25 anos, prorrogável por mais cinco. Já para o aeroporto mineiro, o lance mínimo foi de R$ 1,096 bilhão, com concessão válida por 30 anos, prorrogável também por mais cinco.
O modelo da concessão mantém a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) como sócia de 49% do empreendimento. O edital exigia a presença nos consórcios de um operador aeroportuário com experiência em terminais com movimento superior a 22 milhões de passageiros por ano para o Galeão e de 12 milhões de passageiros anuais para Confins.
Os futuros concessionários dos aeroportos do Galeão e Confins vão receber os terminais, em 17 de março de 2014, com obras inacabadas, insatisfação dos usuários e um curto prazo para atender às exigências previstas no edital, a tempo da realização da Copa do Mundo, em junho. Nos dois terminais do Galeão, os investimentos da Infraero serão de R$ 443,5 milhões, mas os resultados ainda não foram sentidos.
Já as obras que estão sendo realizadas pela Infraero em Confins têm previsão de término em abril de 2014. A mudança faz parte do PAC Copa e até o evento serão investidos em Confins R$ 430 milhões.
A expectativa de bons resultados no curto prazo fazem do Galeão a "joia da coroa" do leilão. Em 2012, o terminal gerou um Ebtida (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 106 milhões, segundo o banco Credit Suisse. Foram 17,5 milhões de passageiros, 25% deles em voos internacionais, o que o coloca como quarto maior terminal da América Latina e com potencial para se tornar um ‘hub’, polo de distribuição dos passageiros em conexão para destinos regionais.
Confins, por sua vez, tem seu potencial de retorno questionado pelos analistas de mercado, sobretudo em relação às exigências para obras de ampliação. A maior dúvida é sobre a projeção do governo, de crescimento médio anual de 4,7% no número de passageiros, pois há dois anos Confins enfrenta queda no movimento. Atualmente, passam 10,2 milhões de passageiros por ano pelo aeroporto e após a obra, a expectativa é que o número aumente para 17,1 milhões.
Companhias aéreas. As companhias aéreas enxergam na nova rodada de leilões de aeroportos uma oportunidade de trazer ao Brasil um modelo de gestão mais eficiente da infraestrutura, mas temem aumentos de custos operacionais. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), Eduardo Sanovicz, o receio do setor é de que as concessionárias onerem as companhias aéreas para recuperar os investimentos feitos para conseguir a concessão.
"A Abear se manifestou contra o modelo de concessão pela maior outorga nas audiências públicas. Se novos aeroportos forem privatizados, vamos voltar a defender que o vencedor seja a operadora que oferecer a menor tarifa, como foi feito com as rodovias", lembrou Sanovicz. Para ele, o modelo se encaixa melhor em cidades com maior atratividade turística. "O Aeroporto do Recife, por exemplo, tem um potencial para ser um hub e tem grande apelo para o passageiro sensível a preço", disse. (Colaboração de Antonio Pita e Florence Couto dos Santos, especial para o Estado, e Marina Gazzoni)

Ação que condenou Genoino a mais 4 anos de prisão — caso BMG — está de volta ao Supremo; Marco Aurélio é o relator; Gilmar Mendes, o revisor

Pois é… Que José Genoino se recupere plenamente! Até para que possa responder à Justiça pelos crimes do mensalão pelos quais já está condenado — por corrupção ativa (4 anos e 8 meses), pena executada, e formação de quadrilha (2 anos e 3 meses), objeto de embargos infringentes. Só que as coisas não param por aí. Lembram-se dos empréstimos fraudulentos do BMG às empresas de Marcos Valério e ao PT? Pois é. Resultaram na Ação Penal 420. Corria no Supremo. Só que José Genoino, único réu que tinha foro especial por prerrogativa de função, deixou de tê-lo. Então o processo foi enviado para a 4ª Vara Federal de Belo Horizonte. Ocorre que ele voltou a ser deputado, e a ação retornou ao Supremo.
ATENÇÃO! NESSE PROCESSO DO BMG, GENOINO FOI CONDENADO NA PRIMEIRA INSTÂNCIA A QUATRO ANOS DE PRISÃO POR FALSIDADE IDEOLÓGICA. Aliás, esse é o caso em que as digitais de ninguém menos do que Luiz Inácio Lula da Silva aparecem de modo insofismável. O relator dessa ação no Supremo é o ministro Marco Aurélio. O revisor é Gilmar Mendes.
Se a pena for confirmada pelo Supremo, mesmo que Genoino escape da imputação de quadrilha, sua condenação será superior a oito anos — o que rende, em circunstâncias normais, regime fechado.
O caso BMG
- No dia 17 de fevereiro de 2003, o BMG “emprestou” ao PT R$ 2,4 milhões. José Genoino assinou pelo partido.
- No dia 20 de fevereiro, Marcos Valério levou Ricardo Guimarães, presidente do banco, para um encontro como Palácio do Planalto com… José Dirceu.
- Cinco dias depois dessa reunião, o BMG liberou um empréstimo de R$ 12 milhões, desta vez para uma empresa de Valério. O publicitário confessou depois que era dinheiro para pagar a turma indicada por Delúbio — vale dizer: era dinheiro para o PT.
- Entre o “empréstimo” feito diretamente ao partido e aqueles oficialmente concedidos às empresas de Valério, o BMG repassou ao esquema R$ 43,6 milhões.
Trecho da Ação Penal 420. Olhe o José Dirceu aparecendo ali
Trecho da Ação Penal 420. Olhe o José Dirceu aparecendo ali
E tudo isso por quê? Eis o pulo do gato. Ou do sapo barbudo. Reproduzo uma síntese que foi publicada no site Consulor Jurídico, com base nos dados da Ação Penal 420:
Em 2004, cinco dias após o presidente Lula assinar o Decreto 5.180, que abriu a todos os bancos o mercado de crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS, o BMG pediu oficialmente para entrar nesse mercado. Oito dias depois, recebeu autorização do INSS. Outros dez bancos fizeram pedido igual, na mesma época. Todos levaram pelo menos 40 dias para receber a mesma autorização.
Com condições favoráveis, o BMG operou com pouca concorrência num mercado em que a demanda era abundante. Sua carteira de crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS engordou e, três meses depois, o BMG a vendeu à Caixa Econômica Federal por R$ 1 bilhão. O BMG, que já operava com crédito consignado desde 1998, tornou-se um gigante nesse mercado. Fechou o ano de 2004 com lucro de R$ 275 milhões — um crescimento de 205% em relação ao lucro de R$ 90 milhões no ano anterior. No ano seguinte, o lucro foi de R$ 382 milhões.
Àquela altura, o BMG se tornara o 31º banco do país. (Em 2002, antes do governo Lula, o BMG não estava entre as 50 maiores instituições financeiras brasileiras.) No ano passado, o BMG lucrou R$ 583 milhões, comprou outro banco e se tornou o 17º do país em ativos totais. No mês passado, enquanto o Rural se preparava para o julgamento do mensalão no Supremo, o BMG se tornava sócio do Itaú Unibanco, o maior banco da América Latina, cedendo a ele 70% de suas operações no mercado consignado.
Em 2005, após o chamado escândalo do mensalão, o Tribunal de Contas da União examinou a entrada do BMG no mercado de empréstimos consignados do INSS. A Polícia Federal investigou as operações de lavagem de dinheiro do mensalão envolvendo o BMG. O Banco Central analisou a lisura dos empréstimos liberados pelo BMG ao PT e a Marcos Valério. A CPI dos Correios e a Procuradoria-Geral da República centraram-se no nexo entre a concessão desses empréstimos e as vantagens obtidas pelo BMG no crédito consignado do INSS.
De volta a Genoino
Entenda, leitor. O dinheiro do BMG não era bem um empréstimo. Digamos que o banco tinha a grana, o PT tinha seus mensaleiros, e Lula tinha a caneta para autorizar as operações de empréstimos consignados, que permitiram à instituição fazer depois aquele negócio bilionário com a Caixa Econômica Federal.
Aqueles R$ 2,4 milhões que o BMG repassou diretamente ao PT foi tendo o pagamento adiado, adiado, adiado… Genoino e Delúbio passaram a figurar como avalistas e devedores solidários. A Justiça considerou que era outra evidência de fraude porque eles não tinham bens para fazer frente a um eventual calote. A propósito: Delúbio também foi condenado a quatro anos. Se quiser ler a integra da sentença, clique aqui.
sentença contra Genoino 1
Nos dois trechos acima, a condenação de José Genoino
Nos dois trechos acima, a condenação de José Genoino
Eis todos condenados pela juíza Camila Franco e Silva Velano com base na do Art. 4°, Caput, da Lei 7492/86 (Lei do Colarinho Branco) Ricardo Annes Guimarães, João Batista Abreu, Márcio Alaôr de Araújo e Flávio Guimarães. Foram condenados por falsidade ideológica José Genuíno Neto, Delúbio Soares De Castro, Marcos Valerio Fernandes de Souza, Ramon Hollerbach Cardoso, Cristiano de Mello Paz e Rogério Lanza Tolentino.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/acao-que-condenou-genoino-a-mais-4-anos-de-prisao-caso-bmg-esta-de-volta-ao-supremo-marco-aurelio-e-o-relator-gilmar-mendes-o-revisor/

A fala obscena de Lula. Ou: Urna não é tribunal

Lula não tem nem nunca teve receio de ser e de parecer politicamente obsceno. A única coisa feia, para ele, é perder eleição. O resto vale. Nesta quinta, falando a prefeitos petistas no ABC, defendeu seus companheiros mensaleiros — por que não? — e mandou ver:
“A resposta que a gente vai dar para eles é garantir o segundo mandato da companheira Dilma Rousseff. E se, em algum momento, faltar argumento para dizer por que que a Dilma tem que ter um segundo mandato, vocês falam: ‘porque o Lula foi melhor no seu segundo mandato, e ela vai ser melhor no segundo mandato’”.
Em primeiro lugar, há uma mentira factual aí. O segundo mandato de Lula foi pior do que o primeiro em muitos aspectos. Mas isso é o de menos agora. Ao fazer essa afirmação, este senhor busca transformar a condenação do mensaleiros  num ativo eleitoral. Para ele, a reeleição de Dilma valeria, então, como uma absolvição de criminosos.
Meus caros, é o feitiço do tempo! A minha primeira coluna na VEJA foi publicada na edição de 6 de setembro de 2006. Sabem como se chamava? “Urna não é tribunal; não absolve ninguém”. Qual era o ponto? Lula estava prestes a ser reeleito. O PT já havia posto na rua a tese de que acusar a existência do mensalão era um “golpe das elites e da mídia”. Como evitar o “golpe”? Votando no PT. Sete anos depois, a mesma coisa. Agora é a reeleição de Dilma que funcionaria como uma absolvição. Vivemos o Dia da Marmota petista. Notem que o texto poderia ter sido escrito há dez minutos, inclusive no que diz respeito à oposição, que diminuiu muito de tamanho. Reproduzo trechos daquele artigo. Voltarei para encerrar.
*
Um novo refrão anda “nas cabeças, anda nas bocas”, poderia dizer o lulista Chico Buarque: a possível reeleição do presidente absolve os petistas de todos os seus crimes. As urnas fariam pelo PT o que o ditador soviético Josef Stalin fez por si mesmo: apagar a história. É um embuste. A vantagem do presidente se deve à economia, à inépcia e inapetência das oposições, às políticas assistencialistas, tornadas uma eficiente máquina eleitoral, e à ignorância, agora a serviço do tal “outro mundo possível”. O povo é, sim, um tipinho suspeito, mas não vota para livrar a cara dos marcolas da ideologia.
O voto do ignorante vale menos? Não. Mas também não vale mais. Nem muda a natureza das instituições. E não absolve ninguém, tarefa que continuará a ser da Justiça. A vacina contra o autoritarismo virótico de quem pretende cair nos braços do povo para ser absolvido de seus crimes está em Origens do Totalitarismo, da pensadora judia-alemã Hannah Arendt. Aprende-se ali que não devemos permitir que os inimigos da democracia cheguem ao poder, negando-nos, uma vez lá, em nome dos seus princípios, as liberdades que lhes facultamos em nome dos nossos.
A tese da absolvição serve ao propósito de pautar a imprensa com uma agenda virtuosa. O programa de governo do PT prevê, diga-se, o incentivo oficial à “mídia independente”. Em lulês, significa financiar, com o dinheiro dos desdentados, a sabujice disfarçada de jornalismo. A prática já está em curso. Felizmente, a democracia é um regime legitimado pela maioria, mas sustentado pelas elites, de que a imprensa faz parte. As esquerdas se arrepiam diante dessa afirmação. Entendo.
A alternativa histórica às elites esclarecidas é o déspota esclarecido. Se, no passado, ele podia ser um homem, no presente, tem de ser um “partido”, um ente de razão com poder de se sobrepor às leis, embora não dispense o demiurgo. Lula é o Tirano de Siracusa (aquele que Platão tentou converter à filosofia, coitado!) dos intelectuais petistas. A decana do delírio é a filósofa Marilena Chaui. No livro “Simulacro e Poder: uma Análise da Mídia”, ela afirma que o discurso da direita se sustenta no senso comum. À esquerda caberia desmontá-lo para criar uma “nova fala”.
Marilena é a Tati Quebra-Barraco da academia. Seu funk filosófico apela à barbárie, mas tem o charme da resistência, a exemplo de certas canções de Chico – Lula é o “meu guri” que chegou lá. Ela ressuscita a tara do marxismo vagabundo de que o senso comum existe como falsa consciência, a ser superada pela iluminação de uma razão transformadora. Conclui-se que o povo, deixado à própria sorte, vai para a direita. Se educado pela militância, pode atravessar os umbrais da liberdade. Na China de Mao Tse-tung, 70 milhões morreram sob o efeito dessa luz.
Mas eu estou com ela. E com Shakespeare. Também acho que o povo não é de confiança. O bardo diz o que pensa no discurso de Marco Antônio diante do corpo de Júlio César, assassinado havia pouco. Leiam a peça ou vejam o filme dirigido por Joseph L. Mankiewicz – um judeu de origem alemã nascido nos EUA. Um minicoquetel de figuras retóricas transformou o tirano assassinado num herói, e o herói republicano, Brutus, num tirano. César era intuitivo, sentimental e tolerante com os de baixa estirpe; Brutus era tímido, racional e ensimesmado.
Açulada pelos conspiradores, a massa primeiro tripudia diante do corpo inerme; chamada por Marco Antônio à sua natureza amorosa e primitiva, adora a memória do ditador. Afinal, “quando os pobres deixavam ouvir suas vozes lastimosas, César derramava lágrimas”, discursa Marco Antônio. Ocorre-me que o rechonchudo Getúlio Vargas foi o nosso César shakespeariano, e o magricela Carlos Lacerda, o nosso Cássio, o chefe dos conspiradores. Antes de seu trágico fim, César havia dito a Marco Antônio: “Quero homens gordos em torno de mim, homens de cara lustrosa e que durmam durante a noite. Ali está Cássio com o aspecto magro e esfaimado. Pensa demais. Tais homens são perigosos”. O mal está no pensamento.
Se eu, Marilena e Shakespeare não confiamos no povo, onde está a diferença? O dramaturgo o trata como o vulgo instável de sempre, e Marilena quer educá-lo segundo os rigores de uma razão supostamente iluminista; ele só passará a ser uma categoria relevante quando acordar de seu sono e aderir a uma utopia finalista. Trata-se de um embuste utópico em nome do qual se institui o presente eterno na política, que passa a ser um jogo sem regras previamente definidas justamente para que qualquer conveniência possa ser considerada uma regra do jogo.
Quando, para defender o PT, um ator diz que a política pressupõe enfiar a mão na sujeira ou um músico dá um pé no traseiro da ética, ambos estão pondo em termos muito práticos o que a intelligentsia petista urdiu como teoria de poder: a superação do senso comum (de direita?), segundo o qual não se deve roubar dinheiro público. A “nova fala” do barraco de Marilena acena então com a pior de todas as tiranias: aquela exercida pelos servos.
E o “meu” povo? Ele é a fonte legitimadora das instituições democráticas e, portanto, tem de ser protegido de si mesmo se atentar contra os códigos que guardam seus direitos – e isso inclui absolver ladrões. Esse é, aliás, o aparente paradoxo das sociedades modernas, em que vigora o estado de direito: a cultura da reclamação, da permanente mobilização, da constante reivindicação de direitos resulta em grupos de pressão que querem impor a sua agenda, ainda que o preço seja o fim da universalidade das leis. A esquerda, faceira, torna-se porta-voz desse novo humanismo de tribo. O paradoxo é aparente porque uma democracia não proíbe a existência de tais movimentos, mas também não cede. E seu limite é a lei, sem as “acomodações táticas” de Márcio Thomaz Bastos.
(…)
se é verdade que o senso comum é “de direita”, como quer Tati Marilena, a voz dominante do establishment, hoje, foi sequestrada pela esquerda. Esta tem projeto de poder, produz valores e ideologia; os democratas, que “eles” chamam de “direita”, acreditam que basta conquistar o comando, sem fazer a guerra cultural.
Urna não é tribunal. Não absolve ninguém.
(…)
Encerro
Parece ou não um pesadelo? Sete anos depois, aquela mesma súcia está no topo do noticiário, dizendo as mesmas coisas, defendendo as ações criminosas de sempre, com os mesmos argumentos. Alguma coisa mudou em relação a 2006: a oposição é ainda menor e mais silenciosa. Fosse eu da oposição, faria dessa fala um ativo eleitoral. Os brasileiros têm o direito de saber que votar em Dilma, segundo Lula, corresponde a fazer uma espécie de defesa dos mensaleiros.
Por Reinaldo Azevedo